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Metade cheia ou metade vazia

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 5 de novembro de 2017 às 13:52

* Por Benedito Antonio Luciano

É comum escutarmos de pessoas saudosistas a frase: Ah! No meu tempo de criança eu era feliz e não sabia. Dito desta forma parece que no passado tudo era uma maravilha. Ilusão, pura ilusão.

Pessoas pessimistas diante da realidade presente buscam no passado esse refúgio ilusório. Para aqueles que acham que no passado tudo era melhor, esquecem, talvez de forma inconsciente, as vicissitudes pelas quais passaram.

No passado e no presente, nem tudo pode ser considerado bom, nem tudo que foi ou é pode ser considerado totalmente ruim. Questão de visão de mundo ou de postura diante da vida.

Assim, um copo pela metade pode visto como metade cheia ou metade vazia. A escolha é individual. Para o otimista a metade do copo está cheia e para o pessimista ele está com metade vazia.

Efetivamente, no curso da vida tudo muda. As coisas mudam umas para melhor e outras para pior. Por exemplo, no século atual, a expectativa de vida no mundo é bem superior à do século passado. Por outro lado, neste século é notório o crescimento das mortes causadas pela violência urbana e rural, pelos suicídios e pelo uso de drogas.

Na metade cheia há desperdícios de alimentos, na metade vazia grassa a fome. Na metade cheia há concentração de renda, na metade vazia há carência nos bolsões de pobreza. A metade cheia vive no luxo e a metade vazia vive no lixo. Luxo e lixo ocupando o mesmo planeta. Assim foi no passado e assim é no presente.

Entre o novo e o antigo, a vida é feita de contrastes e dualidades. Como dizia o compositor Belchior na letra da música “Velha roupa colorida”: “O que há algum tempo era jovem/ Hoje é antigo… No presente a mente, o corpo é diferente/ E o passado é uma roupa que não nos serve mais”.

No copo da vida a metade cheia pode representar as experiências acumuladas, a vida passada, e a metade vazia pode ser vista como a vida que está por vir, o espaço a ser preenchido com novas experiências.

A dualidade contrastante e complementar entre a metade cheia e a metade vazia está disposta de forma dinâmica no diagrama representativo dos opostos polares “yin” e “yang”, caracterizados pelas cores preta e branca dispostas sobre um círculo.

Conforme o livro “O Tao da Física”, de Fritjof Capra, nesse diagrama o “yang”, tendo alcançado seu apogeu, retrocede em favor do “yin”; e o “yin”, tendo alcançado seu apogeu, retrocede em favor do “yang”.

Completando o diagrama há dois pontos posicionados verticalmente de forma simétrica, um preto sobre o “yang” e um branco sobre o “yin”: uma metade cheia e uma metade vazia.

Na realidade, independente de sermos orientais ou ocidentais, somos todos humanos e o mundo é composto por pessoas boas e pessoas más. Há as que plantam e aquelas que cortam árvores, existem as que matam e as que salvam vidas.

E sobre a Terra, o Sol lança a sua luz, trazendo a claridade do dia sobre a escuridão da noite, deixando o mundo com uma metade clara e a outra metade escura.

* O autor é professor do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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