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Mercado de trabalho

Arlindo Pereira de Almeida. Publicado em 2 de julho de 2018 às 9:26

A Carta de Conjuntura n. 39, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), fundação vinculada ao Governo Federal, traz em sua última edição, interessante avaliação do mercado de trabalho no Brasil e traça algumas linhas para o futuro, a partir dos dados do Ministério do Trabalho (CAGED) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a PNAD Contínua.

A realidade é que no período de um ano, de junho de 2017 a maio de 2018, foram gerados apenas 284 mil novos empregos no Brasil, que apresenta, hoje, cerca de 13,2 milhões de desempregados. Comparando, os Estados Unidos criaram, em maio, 223 mil novos postos de trabalho, e tem hoje o menor nível de desemprego desde 1959 (3,8%).

O emprego apresenta variadas facetas, dependendo da região do país, sempre em prejuízo dos estados de menor desenvolvimento. Senão vejamos, a partir de uma relação entre a porcentagem de empregos e a porcentagem da população do Estado ou da Região, segundo o Ministério do Trabalho e do Emprego.

  1. Os Estados do Norte, com uma população de 8,5% do total nacional, têm 4,47% dos empregos;
  2. O Nordeste, de contingente de 27,70% dos habitantes do país, tem apenas 16,17% dos postos de trabalho. A Paraíba tem, respectivamente, 1,9% dos habitantes e 1,01% dos empregados;
  3. Todos os Estados do Sudeste, exceto o Espírito Santo, têm uma participação de empregados maior que o seu percentual de população. O melhor é São Paulo, com 21,7% da população e 31,31% dos empregos. O Espírito Santo tem 1,9% dos habitantes do país e 1,88% dos empregos;
  4. Daí para frente, todos os Estados do Sul e do Centro Oeste, têm participação no emprego maior que o percentual populacional. Com destaque para o Distrito Federal que tem os melhores índices do país: 1,4% dos habitantes e 2,04% dos empregos.

No Brasil, de uma população estimada em 207 milhões de habitantes temos 51,5% de mulheres e 48,5% de homens. E como é o emprego por gênero, segundo a estruturação aqui adotada?

Importa salientar que as metodologias usadas pelo IBGE, pelo IPEA e pelo Ministério do Trabalho e do Emprego não são iguais, os números muitas vezes divergentes dificultam a compreensão, quase sempre conduzindo a resultados aparentemente distintos.

E para concluir, duas observações

  1. No Nordeste as taxas de desocupação são de 14,4% para os homens e de 17,7% para as mulheres.
  1. Mas, no mundo todo, problema semelhante se apresenta. De acordo com estudo recente da Organização Internacional do Trabalho (OIT), mantidas as tendências atuais, serão necessários 70 anos para eliminar as disparidades salariais de gênero, que são hoje de 23%. O homem tem um salário de 100 e a mulher de 77.

São números que preocupam.  Principalmente as persistentes desigualdades entre os gêneros e o muito pouco temos feito para eliminá-las. Quem está falando nisso ou pedindo providências?

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Arlindo Pereira de Almeida

Economista.

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