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Campina Grande - PB

Matriarcas encantadas da vida real – um conto moderno

07/03/2017 às 9:06

Fonte: Da Redação

Por Patrícia Alves (*)

Como eu sou mulher, mãe e trabalhadora – não necessariamente nesta mesma ordem – eu gostaria de no dia 8 de março fazer uma homenagem às mães de João do Pé de Feijão, de Chapeuzinho Vermelho e dos Três Porquinhos, que criaram seus filhos sozinhas e que sabiamente deram as ferramentas para que eles se tornassem pessoas de garra e coragem, que sabem lutar contra gigantes e lobos malvados.

Gostaria de explicar minha admiração, primeiramente, pela mãe de João, capaz de criar um filho dotado de inteligência que troca uma vaca magra por feijões mágicos, que não tem medo do topo e escala um pé de feijão, desafiando um gigante e consegue o sustento da casa com os ovos da Pata de Ouro e ainda liberta a Harpa Mágica, para com música dar alegria aos dias naquela família – pois a felicidade não tá só nos bens materiais, mas no espírito de leveza que a música certamente dá o tom.

À mãe dos Três Porquinhos, porque conseguiu vencer o medo do “ninho vazio” e deu o que tinha para que os três filhos começassem a vida, enfrentassem as adversidades e fossem capazes de superar quaisquer obstáculos, astutos suficientes para enganar até um terrível lobo mau.

Uma das minhas preferidas é a mãe da alegre e faceira Chapeuzinho Vermelho. Ela dá responsabilidades à filha, tirando-a da zona de conforto, fazendo com que Chapeuzinho parasse de brincar e fosse pela estrada afora, sozinha, para levar os doces para vovozinha, sabendo que o caminho era longo e deserto e que ela tinha que ser esperta, porque neste caminho tinha um lobo mau, lobo mau, lobo mau. Por isso que ela e a vovozinha foram salvas nesta história, porque Chapeuzinho tinha sido ensinada pela mãe que podia e devia gritar na hora do perigo, pois a voz dela seria ouvida e que desistir nunca, jamais, neverrrrr será o caminho, mesmo que o perigo pareça maior que todas as forças.

Assim, reconto estas três histórias, que conto – na versão original – praticamente todas as noites ao meu filho, hoje com assustosos sete anos – mas serei uma mãe Porquinha, não vou chorar – com pesar – quando ele seguir o próprio caminho. Assim, eu mostro a ele, mesmo que sem querer, que até nos contos de fadas existem mulheres anônimas e aguerridas que estrategicamente estão zelando para que os filhos sejam homens e mulheres de boa vontade.

Por isso, eu termino a minha coluna, dedicando o meu carinho, amor e determinação às mulheres que não deixam a voz ficar presa, que além de se cuidarem, serem exemplos de honestidade e honradez, determinação e força, são capazes de iluminar o caminho do maior bem da humanidade, os filhos.

NOTA DE REPÚDIO

Quero fazer uma nota de repúdio ao PAI de João e Maria, que influenciado pela MÁdrasta das crianças – abandonou-os à própria sorte na floresta para serem devorados por animais ferozes ou até mesmo por bruxas malvadas, sem sequer dar nenhuma dica ou plano de fuga. Quero dizer para ele, que arrependimento não cura dores do passado. Por isso, um minuto de pesar pelas crianças que ficam órfãs, às vezes órfãs de mães e pais vivos.

(*) Jornalista

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