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Mário Tourinho: De Carlos Batinga aos candidatos a prefeito

Mário Tourinho. Publicado em 31 de outubro de 2020 às 12:01

“O silêncio seria uma importante contribuição ao transporte coletivo”: – este é o título do artigo assinado por Carlos Batinga, cuja mensagem é especialmente destinada aos candidatos a prefeito das médias e grandes cidades brasileiras, chamando-os a atenção para a responsabilidade com que cada um deve posicionar-se em relação à questão da mobilidade urbana e, em especial, do transporte coletivo urbano.

A Paraíba conhece e reverencia Carlos Batinga não só pela competência técnico-política como atuou exercendo a superintendência da SEMOB-JP, assim como na função de prefeito da cidade de Monteiro ou como deputado estadual. Acrescento que o Brasil, por todos quantos atuam no segmento da mobilidade urbana, também o reverencia como um dos mais competentes especialistas desse setor, e, como exemplos, relembro dois eventos dos quais pessoalmente participei: l) em Brasília, em um auditório composto também por várias autoridades públicas, Batinga recebeu a Medalha de Mérito Nacional do Transporte Urbano; 2) em Santos/SP, o mesmo Batinga, como um dos debatedores da Mesa Redonda sobre Avaliação do Transporte Urbano no Brasil, dela participando outros quatro renomados técnicos brasileiros, foram suas argumentações as que mais se destacaram, dia seguinte, na imprensa santista. Também testemunhei a homenagem que o Banco do Nordeste ao mesmo Batinga prestou, em evento realizado na cidade de Fortaleza-CE e voltado para todos os municípios nordestinos, nessa homenagem exaltando os projetos por ele desenvolvidos na cidade de Monteiro, “projetos exemplos para o Brasil”.

Mas, atentemos todos, a partir da linha seguinte,, o que Batinga escreveu:

– “Um dos maiores problemas que será enfrentado pelos gestores municipais das médias e grandes cidades brasileiras, a serem eleitos ou reeleitos em novembro deste ano, será reorganizar o serviço de transporte coletivo, responsável por um terço dos deslocamentos das pessoas, já a partir de janeiro de 2021.

– O que tem mantido os sistemas de transportes operando no Estado de Emergência são: os benefícios referentes à folha de pagamento de pessoal das operadoras, o adiamento do recolhimento de impostos e dos pagamentos de dívidas junto ao BNDES e outros bancos e, em alguns casos, a antecipação de recebíveis. No início do próximo ano estarão todos encerrados.

– A vida terá que voltar ao normal para as empresas operadoras quanto às obrigações legais, porém, com uma queda na receita que muito provavelmente irá variar entre 25% e 50% em comparação ao período pré pandemia.

– A julgar pelas propostas e projetos que estão sendo apresentados nos guias eleitorais dos candidatos a prefeito, nas mais diversas cidades, o que já está ruim pode ficar bem pior. Se promessas de congelamento de tarifas, ampliação de privilégios e gratuidades, substituição da frota de veículos movidos a diesel por outros novos e elétricos, ar condicionado, quebra dos monopólios e um sem número de outras intervenções que aumentam custos e reduzem receitas sem, no entanto, esclarecer como e com quais recursos serão feitas, nos induz a crer que talvez acreditem em milagre ou, apenas, em enganar os eleitores.

Por outro lado, a comunidade técnica acadêmica e as instituições que atuam no setor têm elaborado projetos, propostas e levado a efeito discussões sobre as alternativas para sair do verdadeiro caos estabelecido, porém ainda não tiveram capacidade de transformar tudo isso em ação efetiva para a melhoria da qualidade do serviço de transporte coletivo prestado à população, sequer têm conseguido sensibilizar os tomadores de decisão, no Executivo e Legislativo Federal, para formular uma Política Nacional, mesmo sendo esse serviço considerado essencial em um país eminentemente urbano.

– O transporte coletivo urbano sempre é tema de destaque nos períodos eleitorais e cai no esquecimento no decorrer da gestão, razão pela qual se chegou a esta situação de degradação e, a contar pelo que estamos ouvindo dos candidatos a prefeito, não haverá mudança na mobilidade urbana tão cedo.

– Vale recordar um velho colega que dizia: – “Esta área em que militamos é muito ingrata, pois o melhor elogio que recebemos é o silêncio até quando um projeto que implantamos resulta bem sucedido”. Assim, se a maioria dos atuais candidatos ficasse calada quando tratasse de propostas para o transporte coletivo, talvez pudéssemos alimentar alguma esperança de dias melhores. Entretanto, pelo que eles têm sugerido, o silêncio seria sem dúvida sua melhor contribuição”.

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Mário Tourinho

Administrador, membro da Academia Paraibana de Ciência da Administração (APCA), ex-diretor institucional do Conselho Federal de Administração, ex-presidente do Conselho Regional de Administração, pós-graduado em planejamento operativo, diretor executivo do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa de 1993 a 2016.

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