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Marcos Agra, mestre da Língua Portuguesa

José Mário. Publicado em 2 de janeiro de 2019 às 8:35

Dentre os vários professores que marcaram decisivamente a minha trajetória acadêmica e formação profissional no universo das letras, incluo a exponencial figura do professor Marcos Wagner da Costa Agra ou simplesmente Marcos Agra, código onomástico que o identifica e como ele é conhecido nos meios acadêmicos e culturais de Campina Grande.

Na já longínqua quadra cronológica dos anos noventa, ao realizar um curso de especialização em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira na Universidade Federal da Paraíba, hoje Universidade Federal de Campina Grande, tive o privilégio de ser aluno do eminente mestre campinense.

Forrada por multiplicadas virtudes pedagógicas, a docência empreendida pelo professor Marcos Agra cativava, num primeiro instante, pelo férreo senso de responsabilidade e pelo indeclinável compromisso com o outro, no caso específico, com o aluno que ali se encontrava motivado pelo anelo de adquirir conhecimentos novos e, desse modo, crescer intelectualmente; aprimorar-se para o exercício mais sólido e competente da nobilíssima profissão de professor.

Tal postura de Marcos Agra, ostensivamente revelada em sua práxis docente cotidiana, revelava-se em gestos simples, mas sumamente autenticadoras de um ser/fazer docente profícuo: pontualidade, cumprimento rigoroso do programa estabelecido para a disciplina ministrada, ação enérgica e exigente na condução das primorosas aulas ministradas, sempre no encalço de fazer com que o aluno, diante das desbordâncias quase incontornáveis do oceano do conhecimento em seus variados matizes, extraísse o máximo de si mesmo; fosse um irresignado, um ser capaz de pensar de forma crítica, criativa e transformadora; alguém maduro o suficiente para dar-se conta de que a universidade é o território privilegiado para a produção do conhecimento; e não para a mera reduplicação passiva e inoperante do já dito e feito; lugar de provocações positivas diante dos desafios e questões suscitados por uma realidade cada vez mais complexa e mutante.

Noutras palavras: dir-se-ia ser Marcos Agra, na condição de um educador exemplar, um perseguidor daqueles ideais de nobreza postulados pelo grande pensador espanhol Ortega Y Gasset, que, certa feita, assim se pronunciou: “Nobreza, para mim, é sinônimo de vida dedicada, sempre disposta a superar a si mesma, a transcender do que já é para o que se propõe como dever e exigência. Dessa forma, a vida nobre se contrapõe à vida vulgar e inerte, que, estaticamente, se restringe a si mesma, condenada à imanência perpétua, a não ser que algum fator externo a obrigue a reagir. Por isso, chamamos massa a esse modo de ser homem – não tanto por ser multitudinário, mas por ser inerte”.

Daí que as aulas do professor Marcos Agra, sempre concorridas e inescondivelmente apreciadas pelos que verdadeiramente tinham sede de ampliar o seu saber, e não pelos que não logram nunca transcender a condição menor de meros frequentadores dos bancos escolares, transformavam-se em dinâmicos e reflexivos espaços, em cujo estuário, confluente e dialeticamente, o ensino e a pesquisa entrelaçavam-se e constituíam-se na bifronte face de uma experiência pedagógica singular e inesquecível.

Outro ponto essencializador do itinerário docente do professor Marcos Agra atende pelo nome de uma incontestável competência técnica, o velho e indispensável domínio do conteúdo ensinado, exibido com firmeza, consistência e raro poder de convencimento argumentativo no transcurso das exposições doutrinárias aduzidas.

Emérito conhecedor da Língua Portuguesa, bem como das inúmeras teorias linguísticas que a tomam como ponto de partida e de chegada para as suas reflexões timbradas pela utopia da cientificidade, o professor Marcos Agra, de igual modo, mostrava-se, transdisplinarmente, portador de repertórios epistemológicos ainda mais alargados, com efetivas ancoragens no universo profuso da Literatura, da qual ele sempre pontificou como um leitor pertinaz e proficiente, sendo, também, um excelente poeta.

Por fim, mas sem a pretensão de exaurir o rico espólio da docência praticada pelo professor Marcos Agra, mas apenas dar um depoimento afetivo acerca do grande mestre de nossa cidade, releve-se a paixão com que ele tratava o ato/processo de ensinar, consorciando, no santuário da sala de aula, em tonalidade maior, os elevados vetores da ciência e da arte, na transmissão de uma cultura-valor inestimável: a Língua Portuguesa, da qual Marcos Agra é um emérito e consumado mestre.

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