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Campina Grande - PB

Maldito Pokémon

24/09/2017 às 10:28

Fonte: Da Redação

Por Jurani Clementino (*)

Há uns dois anos, um desses joguinhos de celular estava revolucionando o comportamento humano. Era febre, especialmente entre o público jovem, jogar um tal de Pokémon Go. Trata-se de um aplicativo para celular que, nunca baixei e talvez não saiba explicar direito. Já vi algumas pessoas jogarem e me arrisco a dizer que é uma brincadeira que consiste basicamente em capturar os chamados Pokémons. Tem de vários tipos. O jogo tornou-se uma febre mundial. Começou a preocupar pais e profissionais que lidam com o comportamento humano.

Naquela época eu vivi uma experiência interessante. Marquei uma orientação de TCC, com uma aluna minha, num Shopping Center. O local não parecia ideal para assuntos acadêmicos, mas aparentemente era o melhor espaço para se capturar os tais Pokémons. Eu não sabia, mas pra minha surpresa lá tinha de todo tipo. Só via a menina dizer: “calma professor, vou ali pegar um Pokémon, tá bem ali oh, já volto”. Eu ficava assustado. Pensei que só podia tá cego, porque não via nada. Mas ela ia, pegava o infeliz e voltava. Quando retomava o fio da orientação, surgia mais um, e outro, e outro. Nunca vi tanto Pokémon. Foi a orientação mais atrapalhada que já fiz.

Depois dessa pseudo-orientação segui pra sala de aula. Era uma turma nova e, pra quebrar o gelo, narrei esse episódio ocorrido horas antes no Shopping. Os alunos estavam atentos, escutavam minha narrativa e achavam aquilo sério. Daí, olhei pra um dos primeiros alunos que estavam sentados bem a minha frente. Ele era magrinho, desconfiado, os olhos grandes. Estava bem vestido. Gel nos cabelos. Percebi que na tela do descanso do celular dele tinha uma imagem que, não sei por que, lembrava um daqueles desenhos japoneses (animes, mangás..). Naturalmente associei ao jogo e quis brincar, interagir, acabar com aquele ar de seriedade que a conversa tinha tomado. Foi quando disse: “Esse negócio de Pokémon é muito forte mesmo, eu falando tudo isso e olha a tela de descanso do celular desse menino aqui”. Apontei pra ele. Assustado ele olhou pra mim e, na mesma hora, respondeu: “É não professor, isso não é um Pokémon não, isso é minha foto!”.

Meu Deus pra que esse menino disse isso. A sala veio abaixo. Todo mundo riu. Eu fiquei vermelho. Virei as costas pra turma e cai na risada com a cabeça encostada no quadro. Foi tenso. Não me pergunte como resolvi aquela situação. Nem que fim teve aquela aula. Mas no final das contas todos sobreviveram. Inclusive eu. Quando vejo alguém jogar Pokémon perto de mim, dá uma agonia.

(*) Jornalista, escritor, professor

Campina Grande – Domingo 24 de setembro de 2017

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