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Mais que avós

Ailton Elisiário. Publicado em 26 de julho de 2016 às 8:02

ailton_elisiarioPor Ailton Elisiário*

Na data de 26 de julho comemora-se o Dia dos Avós. Como os pais e as mães têm seus dias, os avós não ficam atrás. Esse dia foi escolhido porque é o dia de São Joaquim e Santa Ana, pais de Maria, mãe de Deus e, portanto, avós de Jesus Cristo. No ano de 1584, o Papa Gregório XIII fixou a data da festa de Santa Ana em 26 de julho e na década de 1960 o Papa Paulo VI juntou a esta data a comemoração de São Joaquim.

É muito gostoso ser avô/avó. Os avós são crianças também, porém com os poderes dos magos que recriam mundos maravilhosos, criam o melhor jogo do mundo, disfarçam a diversão. A brincadeira é o mundo dos avós e netos. Entre eles, a regra geral é a transgressão das regras. Bons netos tornam-se bons avós, porque a relação “avós x netos” é uma das experiências mais satisfatórias da vida. Alegrarem-se por terem sido netos e por serem avós é tudo o que os avós cultivam, para permanecerem encantados pela vida.

A comemoração do Dia dos Avós é oportuna para se pensar o papel destes na família e na sociedade atual. Hoje, os avós desempenham papel fundamental, não somente como cuidadores dos netos, mas também assumindo o protagonismo na vida destes, independentemente da presença ou ausência dos genitores dessas crianças ou adolescentes. Na vida hodierna, a imagem da vovozinha na cadeira de balanço contando histórias para os netinhos já não tem mais lugar. Eles vão além dessa clássica imagem.

Todavia, um quadro triste se revela como parte dessa realidade familiar. Muitos avós são explorados por seus netos e mesmo desprezados. São tantos e tantos avós que submetidos ao egoísmo dos netos são por estes maltratados, têm seus direitos desrespeitados, as suas finanças manipuladas com prejuízos de suas necessidades básicas e de lazer. Também são tantos os filhos que transferem a eles a responsabilidade de suas próprias condições de pais, que esquecem até que têm filhos.

As relações intergeracionais se modificaram na sociedade moderna. Esta sociedade privilegia o jovem em detrimento do velho e nela os velhos passaram de dependentes a provedores principais em grande parte das famílias. Por sua vez, o Estado se reduziu na presença do velho, ficando em débito perante milhões de avós. As políticas públicas ainda continuam longe de permitir que cada geração ocupe adequadamente o seu lugar na sociedade.

O Dia dos Avós, pela vida santificada de São Joaquim e Santa Ana, tem em suas pessoas a representação dos avós cheios da graça de Deus para o exercício pleno, consciente e responsável, do seu papel no seio da família. Os avós da modernidade são mais que avós, mas é preciso assegurar a afetividade aos netos sem prejuízo de sua liberdade. Melhor mesmo não é ser avô/pai ou avó/mãe, melhor mesmo é ser avô/avó como antes, quando avós e netos eram apenas brincadeiras, guloseimas, transgressões, sonhos, alegria perene. Nós e nossos netos somos assim.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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