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Campina Grande - PB

Mais amor, menos guerra

16/11/2017 às 9:20

Fonte: Da Redação

Por Flavio Romero Guimarães (*)

Para mim, Jesus foi o Messias dos excluídos. Por meio da Sua mensagem de libertação, o Cristo, feito carne entre os homens, durante toda a Sua caminhada, acolheu os excluídos. Aliás, foi assim desde o princípio da Sua atuação messiânica, até em relação à escolha dos Seus discípulos.

Foi assim com uma adúltera. Foi assim com uma samaritana. Foi assim, até com um publicano, cobrador de impostos.

Essencialmente, a mensagem de libertação do Salvador, se resume neste diálogo, registrado em Mateus (22:34-40):

Naquele tempo:
Os fariseus ouviram dizer que Jesus
tinha feito calar os saduceus.
Então eles se reuniram em grupo,
e um deles perguntou a Jesus, para experimentá-lo:
Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?
Jesus respondeu: Amarás o Senhor teu Deus
de todo o teu coração, de toda a tua alma,
e de todo o teu entendimento!’
Esse é o maior e o primeiro mandamento.
O segundo é semelhante a esse:
Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.
Toda a Lei e os profetas
dependem desses dois mandamentos.

De acordo com as palavras de Jesus, amar ao próximo é tão determinante na mensagem libertária, quanto amar a Deus. Neste sentido, fico imaginando como tantas pessoas se apropriam da religiosidade para justificar discursos de ódio, de preconceito e de discriminação.

O que é amar ao próximo para esses fariseus da contemporaneidade?

Deve ser amar aos seus pares. Deve ser amar apenas aos iguais.

O que há de especial em amar apenas os próximos mais próximos?

Para mim, há uma onda de fundamentalismo sectário em curso que se apropria até da mensagem de Cristo para semear discórdia, ódio, preconceito e discriminação. Há uma espécie de inquisição velada em curso que coloca na fogueira os (as) excluídos (as) e marginalizados (as) do Terceiro Milênio.

Na Idade Média, a Inquisição perseguia e queimava filósofos, livres pensadores e cientistas. A Inquisição foi concebida sob o jugo do Cristianismo. Em pleno Terceiro Milênio, o fundamentalismo religioso tem servido para conceber uma espécie de inquisição pós-contemporânea, que visa “queimar” os defensores de pensamentos ou ideias que supostamente não se coadunam com os dogmas e/ou “valores” defendidos pelos religiosos.

Na Inquisição da Idade Média ou na inquisição moderna, os religiosos usam o nome de Deus em vão. Se Deus é a expressão mais pura do Amor, amar ao próximo, inclusive pelos preceitos do Cristianismo, é o caminho para chegar ao Pai. É preciso cuidar para que essa onda de discurso raivoso, sob o jugo de fundamentalismo religioso, não sirva para aprofundar, ainda mais, a intolerância e a discriminação.

Finalmente, alicerçado na minha fé, creio que estas ações não passam ilesas ante os Olhos do Pai Celestial. É bom relembrar: “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus (Mateus 7:21,22).

Qual é a vontade do Pai?

Será a disseminação do discurso do ódio? Da discriminação? Do preconceito?

Mais amor, menos guerra. Deus, olhai por nós.

(*) Professor

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