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Mãe

Rafael Holanda. Publicado em 15 de maio de 2017 às 8:37

Por Rafael Holanda (*)

Hoje a tristeza veio me visitar, e com maestria entregou em vídeo toda história das histórias que gostaria de contar. Hoje farei visita ao cemitério, onde permanecem os restos mortais daquela que em vida foi santa dos meus dias, e com seus abraços e carinhos entregou em minhas mãos a chave do viver.

Minha mãe era o esplendor de todo amanhecer, e antes de abrir a porta para o mundo a sua luminosidade já mostrava o meu caminho, e com certeza ainda hoje não me sinto sozinho.

Minha mãe era milagre desde o meu nascer, canção que enfeitava cada dia, cada momento, e pelo seu cheiro eu seguia adiante na certeza de suas bênçãos.

Minha mãe se tornou saudade, espaço imenso de tristeza, onde cada dia procuro encontrar e não encontro, ela que me serviu de guia nas mais difíceis estradas, mas com sua palavra fiz os meus passos em direção a verdade.

Por sua crença e fé passei por vales obscuros e encontrei saída, por seu amor pude contornar os caminhos sem porteiras, na certeza absoluta de chegar onde desejava, pois minha mãe era a soma de todos os amores, assim como o branco é a soma de todas as cores.

Você era o riso que bloqueava a minha lágrima, o balanço das minhas noites mal dormidas, o sossego para o meu medo infantil, e hoje eu vivo só.

Você era a minha festa diária, e que muitas das vezes não soube aproveitar, era o afago de um colo meigo que não procurava medir o tempo de amor para me dar.

Você era a vida e a luz do amor, a segurança que produzia um aroma de paz, e me dava forças de fé para esmagar toda falsidade que poderia me cercar.

Você era o mar calmo do meu momento de dificuldade, a perfeição de Deus que se fez mulher, e acima de tudo a semente de todas as virtudes.

Você era a figura humana de tanta doçura, que hoje arrastado como um desvalido vivo nas sombras da saudade busco em pequenas memórias a grandiosidade dos seus gestos, e hoje eu vivo só.

Eu me consolo pela perda, mas não me convenço da ausência, pois embora Deus me tenha sido tão bom, ainda eu me sinto um pequeno menino na saudade das saudades.
Aproveitem este dia; saibam compreender que o riso com o passar do tempo se transforma em lacuna, e com certeza chegará o fatídico dia em que reconhecerá que era feliz e não sabia.

(*) Médico

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Rafael Holanda

* Médico.

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