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Mãe, mulher pronta ao sacrifício

Dom Delson. Publicado em 13 de maio de 2019 às 12:31

O dom da maternidade sempre ocupou um lugar especial na convivência humana. Ser mãe sempre nos lembrou a arte do carinho e do cuidado constantes. No geral, todos nós fomos marcados pela linguagem concreta do amor que passa pelas mãos dedicadas de nossas mães. A cultura que nos toca não apresenta claramente o papel fundamental da maternidade. Vemos constantemente a figura da mãe, principalmente no final da vida, sendo sutilmente desprezada.

Em umas de suas magníficas catequeses, a do dia 07 de janeiro de 2015, o Papa Francisco reafirmou que cada pessoa humana deve sua vida a uma mãe: “Cada pessoa humana deve a vida a uma mãe e quase sempre deve a ela muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual. A mãe, porém, mesmo sendo muito exaltada do ponto de vista simbólico – tantas poesias, tantas coisas belas se dizem poeticamente da mãe – é pouco escutada e pouco ajudada na vida cotidiana, pouco considerada no seu papel central da sociedade. Antes, muitas vezes se aproveita da disponibilidade das mães a sacrificar-se pelos filhos para “economizar” nas despesas sociais.” Como cristãos não podemos admitir tal traço da cultura de morte. A maternidade é um grande dom de Deus para “humanizar” as pessoas humanas.

Naturalmente, toda mãe conhece profundamente o carisma do martírio, escolhe o esquecimento de si para estar à serviço dos filhos e da família. Na relação maternal, os filhos são frequentes destinatários de um amor que se entrega e que afugenta o individualismo e o egoísmo. Uma mulher que, verdadeiramente acolhe o dom da maternidade, conhece bem a prontidão do sacrifício pelos filhos e jamais calcula os seus atos e esforços.

Para Dom Oscar Romero, o comportamento maternal confunde-se com uma espécie de “martírio materno”; a graça de ser mãe revela ostensivamente as páginas de sangue do Evangelho de Jesus: o silencio que acompanha, a renúncia cotidiana e a misericórdia que permanece sempre. Estas são marcas inconfundíveis da vida dos mártires.

Nossas sociedades reclamam pela cultura da maternidade marcada pelo sacrifício, pois “uma sociedade sem mães seria uma sociedade desumana, porque as mães sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedicação, a força moral. As mães transmitem, muitas vezes, também o sentido mais profundo da prática religiosa: nas primeiras orações, nos primeiros gestos de devoção que uma criança aprende, é inscrito no valor da fé na vida de um ser humano” (Papa Francisco).

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Arcebispo Metropolitano da Paraíba.

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