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Mãe

Jurani Clementino. Publicado em 5 de maio de 2019 às 12:26

Foto: arquivo pessoal

Costumo dizer que minha mãe, ao contrário de meu pai, sempre foi muito racional. Dividiu toda a vida entre a escola primária do sítio onde foi professora por 25 anos e a casa onde sete filhos esperavam por cuidados. Casada com um agricultor era ela quem tinha um salário mensal para custear grande parte das despesas mensais. Minha mãe nasceu numa data emblemática. Ela é do dia cinco, do mês cinco, do ano cinquenta e cinco. No próximo domingo, portanto, completará 64 anos. Caseira, nunca foi muito de sair, viajar. Dar um trabalho danado pra deixar aquela cozinha e vive mexendo naqueles troços que ali se encontram. Cada dia que passa a gente percebe que está cada vez mais difícil tirá-la do pé do fogão a lenha que ela mentem acesso cotidianamente.

Levanta cedo, começa a luta e é a ultima a se recolher. Sempre foi assim. Até quando vivia dividida entre as atividades de professora e dona de casa repetia esse ritual meio que sagrado. Com a saída dos filhos de casa, seja para construir suas próprias famílias ou para seguir o destino de cada um, viu a residência, de quase dez cômodos, ficando vazia, as panelas diminuindo de tamanho, o barulho se transformando em silencio. Era como se tudo estivesse voltando ao que era antes. De quando, aos dezoito anos, casara com meu pai. Mas depois, com a chegada dos netos, viu tudo se repetir novamente. Há momentos em que a casa está cheia. Passou a viver muito em função dos filhos de seus filhos. E viu a casa ser tomada novamente por alegria.

 As vésperas de completar 64 anos de idade Dona Fátima mantem uma rotina quase diária de produção de queijos caseiros, aqui acolá produz uns doces de leite que dão agua na boca, seus cafés são sempre elogiados por quem experimenta e, naturalmente, ela faz o baião de dois com fava e toicinho torrado mais delicioso desse planeta. A gente que mora longe de casa sabe como o gosto da comida caseira feita por nossas mães é saboroso e nos faz uma falta danada.

Há dezenove anos, quando ainda morava com ela e talvez pensasse em deixar a casa de meus pais, escrevi um poema em homenagem aos dias das mães, que por sinal, é uma data sempre muito próxima ao dia de aniversario de minha mãe. Numa das estrofes eu dizia:

No jeito meigo de olhar

Uma mãe expressa o mundo

Faz toda nação cantar

Este eterno amor profundo

Com sua sinceridade

Seu amor sua bondade

De se dá sem receber

Ela passa toda a vida

Curando nossas feridas

Enfrentando o padecer.

E no finalzinho daquela meia dúzia de estrofes dedicadas a todas as mães e certamente declamadas num desses eventos escolares, talvez na Escola Maria Afonsina Diniz Macedo, onde estudei por um bom tempo, eu dizia:

Se um dia eu partir

Para seguir meu destino

Se do seu lado sair

Prosseguir noutro caminho

Guarde-me sempre contigo

E deixa esse ombro amigo

Pra na volta eu debruçar

E dizer que eu te amo

Que me lembro e te chamo

Por onde hei de passar.

Jurani Clementino

Campina Grande – quinta-feira 02 de Maio de 2019

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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