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Literatura, entre regional e universal

Josemir Camilo. Publicado em 8 de dezembro de 2018 às 16:20

Neste dezembro, além da posse de escritores regionalistas, a Academia de Letras de Campina Grande registra uma memória bastante festejada no dia 08, o da Conceição, data natalícia de um dos maiores cofundadores desta Casa, o advogado e político, nascido há 104 anos atrás, o campinense Aluízio Afonso Campos, que entrou para a imortalidade, há 16 anos. Sua cadeira, a número 01, tem como Patrono, exatamente seu pai, Afonso Rodrigues de Souza Campos, tanto que, em suas origens, esta Casa chamou-se, até o início dos anos 2000, de Casa de Afonso Campos, homenagem a um dos maiores juristas paraibanos do século XX, cuja biografia já se encontra pronta pelas mãos deste artesão que vos escreve.

A Academia, no mês de novembro e começo de dezembro, já contando com a posse do novel acadêmico, o professor da UFCG, José Mário da Silva Branco, posse solene pela representatividade social e pelos brilhantes discursos, tanto do recipiendário, como do confrade que o recebeu, neste quase virtual Jardim de Academus, a diretoria esteve envolvida em vários eventos literários, como a abertura da Primeira Feira Literária de Campina Grande e seu lançamento coletivo, no encerramento, no Parque da Criança. Ainda contamos com o encontro bastante proveitoso, na Livraria Espaço de Cultura, já tradicional lugar de encontros intelectuais, quando do lançamento do livro do crítico literário paraibano, Heriberto Barbosa Filho. Fui ver o literato, dos bons, dos melhores. Considero Heriberto e ao, hoje, confrade José Mário, os melhores críticos literários da Paraíba, em especial, e dois dos melhores da Província Literária Nordestina. O encontro com Heriberto não só gerou um bom feedback, como a aquisição do seu livro A Construção dos Signos me colocou frente à frente com a posse dos escritores regionalistas tomando posse neste dezembro, Paulo (Martírios dos Viventes) Cavalcante e Efigênio (Pedro Jeremias) Moura.

Refiro-me ao seu ensaio de Heriberto Barbosa, “O Regionalismo e o escritor contemporâneo”, ensaio brilhante, que recomendo a todos e, em particular, aos que defendem a bandeira do regionalismo, não para apodo, de minha parte, mas para reflexão. De imediato, busquei recomeçar a leitura de Paulo Cavalcante, com o relato-denúncia “O Martírio dos Viventes”, vazado na tradição do realismo, quase naturalista, se não fosse o freio moralista. Ao terminar seu magro livro (e isto corresponde a uma estética da fome, entre interrogações e exclamações), me debruço, de imediato sobre o Romance Cangaceiro – poderíamos criar este subgênero? Deixo, aqui, a inquietude que me acometeu a leitura de Heriberto Barbosa Filho, deixo para os leitores do paraibaonline, para sentir o feedback, no café da Praça ou do Calçadão, ou, até mesmo, no shopping. Trata-se de que grau de universalidade, ou de humanidade, tem sido feita nossa literatura regional; se tem sido ela literatura com adjetivo, ou se literatura.

De minha parte, isto não é tão novo, porque venho de uma experiência em História, sob o abalo produzido por nosso maior historiador teórico (e grande pesquisador bibliográfico e literário), o campinense Durval Muniz, quando desconstruiu a ideia de Nordeste e nordestinados. Pelo lado da historiografia, aderi ao seu raciocínio, porque encontrei em minhas pesquisas documentais, o mesmo discurso da elite, de clamar ou combater o Poder Central, usando a desgraça do povo, naquilo que se passou a chamar, religiosamente, de ‘flagelo’, a seca. Por essa perspectiva, eu já tinha tirado o pé do freio, mas, na literatura, ainda, mergulhar mais e descobrir o universal, não só da aldeia, em si, como pleiteava grande escritor, mas da região: o que é humanamente (im)possível?

Como arremate deste artigo, Campina poderá ver mais uma proposta do que é fazer literatura na região e ser universal, com o poeta cearense, prêmio Jabuti deste ano, Maílson Furtado.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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