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Lembranças sim, saudades nem sempre

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 16 de setembro de 2021 às 7:54

Dos fatos ocorridos em nossas vidas, muitos estão marcados de forma indelével na mente de cada um de nós, como se fossem gravados num arquivo de computador que não pudesse ser apagado da memória: eles são as lembranças que permeiam os nossos pensamentos.

Segundo o dicionário Aurélio, saudade está ligada à “lembrança nostálgica e, ao mesmo tempo, suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las”.

Vista por este ângulo, a saudade estaria ligada aos fatos passados, podendo alguns deles, ao serem relembrados, trazer de volta a felicidade de bons momentos vividos.

Outros, por terem causados dor, podem despertar tristezas adormecidas. Assim, dotados do livre arbítrio, podemos buscar na memória lembranças boas ou rememorar fatos negativos.

Questão de escolha. É como optar entre dois caminhos a seguir: o iluminado pelo Sol ou o coberto pela escuridão. Travessia.

Pessoas que cultivam bons pensamentos buscam a claridade e vivem em harmonia consigo e com os outros. As que se envolvem com pensamentos negativos, de forma consciente ou não, buscam as trevas. Elas, colhem e espalham infelicidade ao seu redor, o que não é bom para si, nem para os outros.

Se, na prática, não podemos controlar os nossos pensamentos, pelo menos podemos tentar afastar de nossas mentes lembranças ruins que afetam negativamente as nossas emoções. Por exemplo, podemos atrair boas lembranças ao substituir perdas por conquistas, fracassos por superações, ressentimentos por perdão e reduzir a interação com pessoas mórbidas.

O passado passou e certamente deixou marcas, isto é fato. Mas, viver o presente carregando fardos do passado não é a melhor maneira de se preparar para o futuro. Ao longo de nossas vidas, as lembranças estão presentes, mas escolher do que sentir saudade creio que pode ser uma opção.

Às vezes, por meio de um dos sentidos, uma lembrança que estava adormecida em nossa mente pode ser despertada e com ela pode vir a saudade de pessoas ou de lugares: uma música (audição), o cheiro (olfato), o gosto de uma comida (paladar), um carinho (tato) e fotos antigas (visão), para citar alguns exemplos.

Esse despertar depende da capacidade de cada órgão responder a um determinado estímulo, pois cada um possui receptores sensoriais capazes de transformar esses estímulos em impulsos nervosos.

O processamento de sinais, mediante a interação entre sensores e receptores, é algo que pode ser compreendido facilmente pelos engenheiros eletricistas e pesquisadores atuantes nas áreas de eletrônica e telecomunicações.

Porém, para além dos aspectos neuronais relacionados com as lembranças sensoriais existem outros que transcendem os conhecimentos adquiridos na formação profissional deste articulista.

Assim, mesmo correndo o risco de enveredar indevidamente por outros campos de conhecimento, ouso afirmar que a saudade está relacionada com a lembrança e que sem lembrança não há saudade. E mais, nem toda lembrança causa necessariamente saudade.

Daí porque “lembranças sim, saudades nem sempre” foi escolhido para ser o título deste brevíssimo e despretensioso ensaio.

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Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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