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Lágrimas de Natal

Rafael Holanda. Publicado em 25 de dezembro de 2017 às 11:29

Por Rafael Holanda

No natal, o dinheiro pode comprar a casca das coisas, mas não compra a essência por ser a mais importante; pode comprar comida, que na sua maioria não é repartida; pode comprar sorrisos, mas não ameniza o choro da fome.

No natal os abastados podem comprar a servidão, porém nunca à lealdade, comprar presentes caros, mas nunca um riso maroto do que treme de frio na rua da cidade, pode comprar dias de alegria, mas não compra a paz ou felicidade.

No natal, o filho de Deus nasce em cada parte mais miserável da periferia, onde o sentimento de amor apesar da fome se enche de fé.

Num natal de festas, plumas e paetês não existem o Deus da verdade, da esperança e, acima de tudo da caridade; para que a presença do verdadeiro Deus apareça é necessário que todos sejam capazes de amar a criatura mais insignificante como a si mesmo.

No natal deve gravar a essência básica como um selo no coração, mostrando que cada dia é dia de trazer para si a responsabilidade dos que por infelicidade da sorte, sofreram exclusão da vida por nossas próprias vaidades.

No natal é tempo de paz, paz essa que deveria ser uma constante, principalmente em nossa casa, onde, nós buscamos se afastar das reais e, constantes transformações que os nossos filhos têm sofrido com advento do moderno e da perdição.

No natal, devemos lembrar que muitas lágrimas são roladas em mocambos da periferia, pela falta do básico, pelo pão que alimenta, e não nos sentirmos parte desta tristeza; pela criança que geme de febre e frio, e não nos sentirmos parte desta tristeza, e continuamos dizer que estamos no natal.

Deveríamos sim, pedir a Deus perdão por nossos atos, pelas nossas inoperâncias, por se lembrar apenas do dezembro como se fosse o mais sagrado e, pela falsa capa de bom cristão persistindo na mentira constante.

Que possamos compreender que o natal é de forma constante, e que o Jesus que saudamos nasce e morre de forma continua dependendo dos nossos atos.

Saiam de casa, ponham a mesa farta na rua, busque os que têm fome de toda espécie e mantenha uma constância, pois só assim tiraremos à máscara do bom samaritano e mesmo sendo escarnecedor, teremos a certeza que Deus saberá julgar qual o que melhor atuou.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Rafael Holanda

* Médico.

falecom@fhc.com.br

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