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Jurani Clementino: Televisão Brasileira – 70 anos construindo imaginários

Jurani Clementino. Publicado em 17 de setembro de 2020 às 12:15

Paraíba Online • Jurani Clementino: Televisão Brasileira - 70 anos construindo imaginários

Amanhã, 18 de setembro de 2020, completa exatamente 70 anos da chegada da televisão ao Brasil. As pessoas que me escutam e que leem meus livros já perceberam que eu tenho um certo carinho pela TV. Na verdade, eu e muitos meninos da minha geração, construímos uma relação muito afetiva com a televisão porque ela, durante muitos anos, foi um artigo de luxo, foi um sonho de consumo de milhares de famílias e era, a TV, quem trazia pra dentro das casas simples do povo sertanejo um sonho muito distante de nós. Acho que a primeira vez que vi uma televisão, ainda nos anos de 1980, foi na casa de seu Zé Soares numa parte do Sítio Queixada que a gente chama de “O outro lado”. E, coincidentemente, passava nela cenas em preto e branco de uma novela chamada “Selva de Pedra” com Francisco Cuoco, Dina Sfat e Regina Duarte. Devia ser a reprise dessa novela de Janete Clair exibida pela primeira vez em 1972. Nunca me esqueci de uma cena em que a mocinha tentava fugir de uma prisão e era flagrada pela vilã. O capítulo terminava com um close do pé da vilã (Dina Sfat) em cima da mão da mocinha (Regina Duarte) que estava com a chave e prestes a sair daquela prisão. Não acompanhei mais a novela porque era uma televisão abastecia por bateria de caminhão e nunca dava pra ver tudo.

Depois a energia elétrica foi se aproximando do meu sítio e as pessoas comprando suas próprias TV´s. Nos anos de 1990 frequentamos, eu e meus amigos, diversas comunidades atrás de uma televisão ligada: Lagoas dos Nunes, Lagoa de Dentro, Carnaúbas, Jatobá, Medeiros… enfim, várias casas. Na época nem era televizinho (aquele que desprovido de TV vai assistir na casa do vizinho), mas nós éramos telesítiovizinhos (aqueles que percorriam quilômetros entre um sítio e outro para assistir TV). Tornei-me televizinho, propriamente dito, já no final dos anos 90 quando finalmente a energia elétrica foi instalada no sítio de meus pais e acompanhei os programas televisivos nas TV’s de: Madrinha Antônia, Chica de Varmido, Pedro de Doge e outros moradores que, após a chegada energia, foram os primeiros a adquirir aquele equipamento moderno.

Mas minha relação com o veículo TV ia se estreitar mais ainda com a minha mudança para a Paraíba no início dos anos 2000, porque, ironicamente, dois anos após chegar por aqui, eu passei a trabalhar numa redação de TV. Imagina aí, eu que vivia deslumbrado com os telejornais, as novelas e os programa de auditório, estava, assim, do dia pra noite, fazendo aquilo acontecer para as pessoas que, assim como eu, viviam do outro lado. Eu realmente não sabia de nada. Tudo que eu sabia era que nada sabia. Quer dizer, eu sabia limpar mato, brocar, arrancar toco, fazer cerca, até capar um porco, acredite, eu já tinha feito isso uma vez… mas trabalhar com televisão, isso era a primeira vez. Eu via aquilo, gostava, admirava, mas não tinha a menor ideia de como funcionava na prática.

Foram longos e inesquecíveis anos de aprendizado ao lado de figuras emblemáticas da televisão na Paraíba como Rômulo Azevedo, Polion Araújo, Carlos Siqueira, Clarice Albuquerque, Sandra Paula Amorim, Helen Jeniffer, Silvio Osias, Edilane Araújo, Arimatéia Souza, e os interventores da Rede Globo aqui no estado: Ana Viana e Luiz Augusto. Meio que por acaso e sem nenhuma pretensão acabei, por seis anos, fazendo um pouco parte da história da televisão na Paraíba. E desde 2006 leciono uma disciplina chamada telejornalismo e/ou história da comunicação para estudantes do curso de comunicação social com habilitação em jornalismo.

Esse texto poderia ter sido sobre a importância de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, magnata das comunicações que trouxe a televisão pra cá, há exatos 70 anos. Sobre os Marinhos que construíram também o seu império com o Grupo Globo. Sobre a família Saad e o Grupo Bandeirantes, sobre os investimentos do bispo Edi Macêdo com a Rede Record, Silvio Santos e o Sistema Brasileiro de Televisão, sobre o grupo Edson Queiroz que detém o poder sobre o Sistema Verdes Mares no Ceará ou sobre o Grupo São Braz a quem pertence a Rede Paraíba de Comunicação, e assim por diante.

Mas eu apenas quis mostrar como a televisão marcou a minha vida de várias formas: inicialmente como um telespectador deslumbrado e, posteriormente, como produtor de conteúdo audiovisual. Cheguei à TV sem saber atender direito a um aparelho telefônico e devo ter aprendido alguma coisa porque sai de lá como professor de telejornalismo em instituições de ensino púbicas e privadas.

Jurani Clementino
Campina Grande – PB 17 de setembro de 2020

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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