Fechar

logo

Fechar

Jurani Clementino: Jabuti 2020

Jurani Clementino. Publicado em 27 de novembro de 2020 às 10:52

Ontem foi um dia importante para nós que produzimos cultura, literatura, arte num país que pouco valoriza essas questões. Foram revelados os vencedores da 62ª edição do maior prêmio de literatura do Brasil, que é o prêmio Jabuti. Nessa premiação, autores, editoras, poetas, escritores e incentivadores da escrita e da leitura de todo o país concorrem anualmente em diversas categorias. Para se ter uma ideia da importância desse evento, este ano, estavam entre os finalistas, figuras como Chico Buarque de Holanda, Maria Valéria Rezende, Nélida Piñon, entre outros. E a grande homenageada foi a poetisa mineira Adélia Prado.

O Prêmio Jabuti é o mais tradicional premio literário do Brasil, foi criado em 1959 e é concedido e organizado pela Câmara Brasileira do Livro. O objetivo é premiar autores, editores, ilustradores, gráficos… que mais se destacam a cada ano. Esses autores concorrem em suas categorias: crônica, contos, poesia, romance, capa, ilustração etc. Todo ano é lançado um edital e autores, produtores culturais de todo o país se inscrevem com seus trabalhos. O resultado sai em três etapas: os dez finalistas, depois os cinco melhores desses dez e, por último, o grande vencedor de cada categoria.

Na edição 2020, na categoria Inovação Fomento a Leitura, o projeto “desengaveta meu texto”, coordenado pela professora Patrícia Rosas, ficou entre os dez finalistas e passou para a etapa final. Concorrendo com mais quatro projetos: A Festa Literária da Periferia, do Rio de Janeiro que procura dar voz aos artistas que vivem no anonimato das grandes favelas e periferias das cidades; O trabalho de uma Ong chamada “Mais Diferença” que produz livros em vários formatos e acessíveis a pessoas com deficiência auditiva, visual etc; O “Sarau Asas Abertas” de poetas do Estado de São Paulo e O Sarau do Binho: conversa vai, com Versos vem, que é um pouco semelhante ao projeto dos poetas paulistanos.

Essa é a segunda vez que o projeto “Desengaveta meu Texto”, da professora paraibana de Campina Grande, Patrícia Rosas, foi finalista do prêmio Jabuti. Trata-se de uma ação grandiosa que envolve dezenas de professores, alunos, colaboradores, poetas, escritores, instituições públicas… com o intuído de levar as escolas o exercício da leitura e da escrita. O grande foco desse trabalho coletivo é fazer com que os alunos escrevam e publiquem os seus próprios textos. Por isso existe a parceria também com editoras que facilitam a correção, diagramação e edição dos trabalhos dos alunos. Para publicar esses textos existe uma revista, chamada “Tertúlia”, e a cada nova edição professores e estudantes fazem uma festa na escola, convidam a família e promovem um grande lançamento.

Participei da última edição da revista com um texto sobre memórias. Foi uma espécie de resenha do livro “A cidade” vencedor do Jabuti 2018, escrito pelo também cearense da cidade de Varjota Maílson Furtado. Por isso, participar da solenidade de premiação do Jabuti 2020, ainda que virtual por casa da pandemia, já tinha um gostinho de vitória. Essa já era uma vitória coletiva, ficar entre os cinco melhores trabalhos já valia uma comemoração.

O prêmio na categoria inovação não ficou como “Desengaveta meu texto”, foi para a “FLUP – Festa Literária da Periferia”. Mas a grande vencedora da noite foi a nordestina, recém-eleita vereadora pela cidade de Recife, Pernambuco, a militante pelo PCdoB, Cida Pedrosa que na semana passada entrou para a câmara de vereadores da capital pernambucana, e ontem levou dois jabutis: de melhor livro de poesia e melhor livro do ano. Seu trabalho é cheio de memórias, de histórias e de paixões, especialmente pelo sertão.

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Jurani Clementino
Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube