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Jurani Clementino: Forró do CSU

Jurani Clementino. Publicado em 27 de junho de 2020 às 10:01

O Forró do Centro Social Urbano, o CSU, sempre foi aguardado com muita ansiedade pelo povo de Várzea Alegre. Desde a sua criação, em 1983, que o Centro deu início a trabalho de sociabilidade entre aos idosos. Ampliou para as manifestações culturais locais, com as apresentações dos grupos folclóricos, as cantigas de roda, os grupos de maneiro pau, as bandas cabaçais e as famosas e competitivas quadrilhas juninas. Grupos que desfilavam pela cidade e desembocavam todos no CSU.

A festa foi ganhando a aceitação popular e, de repente, era tanta gente dela querendo fazer parte que foi preciso organizar o evento fora das dependências do Centro. Quadrilhas juninas improvisadas na sua simplicidade. Nada de grupos estilizados, cada participante criava sua própria fantasia.

O caipira atrapalhado, o roceiro de chapéu, o matuto com suas roupas estampadas ou com seus falsos remendos. E assim, a forró entrava pela madrugada. Reunia turma de amigos e todos viravam a noite na festa e amanheciam nos bares ou jogados pelas ruas, ressacados e esgotados de tanto dançar.

Em 2020 a trigésima sétima edição do evento vai ser diferente.  Há quem diga que a sanfona parou, o zabumba emudeceu, o triângulo silenciou… ainda não. Estamos nos adaptando, mas não podemos negar que sentimos saudade daquele agarradinho, do mexe-mexe, do entranhado de gente dançando uns com os outros ao som desses instrumentos.

Aquele retorcer de corpos suados, abraçados, em movimentos sincronizados, seguindo, ou não, o ritmo da música. Casais conduzidos pelos passos da dança, em sintonia completa com seus parceiros de arrasta-pé. Aquilo tudo parecia uma árvore balançando os galhos durante um vendaval, tratava-se de uma procissão de alegria compartilhada.

E tudo sob o toque da sanfona, o barulho do zabumba e o tilintar do triângulo. A gente toda suada e feliz. Completamente descabelada de animação, tomada por um contentamento junino. Forrozando.

Essa é uma festa tão esperada e anunciada com tanta empolgação que mereceu até uma música própria. Feita em 1986, pelo meu primo compositor Lourival Clementino, e gravada por Chico de Amadeu, sanfoneiro varzealegrense e um dos principais personagens deste evento.

Em sua homenagem temos hoje, em frente ao CSU uma estátua e uma praça que levam seu nome. A música dava um farnizinho na barriga, um tremelico nos pés e uma agonia no juízo só de ouvir e imaginar quantos dias estavam faltando para o começo da festa. É difícil encontrar em Várzea Alegre alguém que não saiba de có os seguintes versos:

Morena, vou dançar mais tu;

No forro de são Pedro no CSU.

Este ano a festa segue com sua alegria, mas realizada de forma diferente. É no aconchego de sua casa e na companhia de uma figura muito especial: meu querido poeta Fábio Carneirinho que tive a satisfação de vê-lo tocando, aqui em Campina Grande, no palco do Maior São João do Mundo, com sua sanfona branca e sua voz aveludada.. Também me encontrei com ele uma vez na cidade de Juazeiro do Norte. Vamos todos: morenos, morenas, brancos, pretos pardos, cafuzos, cearenses de Várzea Alegre, espalhados por todos os cantos desse país, dançar juntos na trigésima sétima edição do Forró de São Pedro do CSU. Boa festa a todos

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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