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Jurani Clementino: É lida. É linda. Élida…

Jurani Clementino. Publicado em 6 de fevereiro de 2020 às 12:04

Promessa é dívida. Costumo dizer que sou bom pagador. E, um dia, um belo dia/noite, eu prometi. Estava devendo. Tinha que pagar. Não sei se foi na quarta ou na quinta-feira à noite. Ministrava aulas da disciplina de Publicidade e Propaganda no curso de Jornalismo e, por um acaso, os alunos descobriram que eu era escritor. O acaso é porque não gosto daquelas longas e enfadonhas apresentações feitas pelos professores no primeiro dia de aula. É uma coisa minha. Prefiro que os alunos, aos poucos, descubram a trajetória do professor. E como eles são espertos e curiosos vão logo nas redes sociais e encontram tudo lá. Então aquela morena elegante, de fala firme, posições sempre muito fortes, aluna do oitavo período, que metia susto em qualquer professor novato, cutucou na internet e viu as minhas credenciais acadêmicas, sagradas e profanas…

Ela chegava sempre atrasada, dizia que estava em orientação do TCC. Era uma pesquisa sobre reggae. Vivia num corre-corre danado. Jantava ali mesmo na sala. Trazia a comida numa vasilha de plástico dentro da bolsa. Alimento recomendado pela sua nutricionista. Malhava, na certa, porque seu corpo era uma coisa absurda. Chamava a atenção de qualquer um nos corredores da faculdade. Despertava a libido até do mais assexuado dos homens. Morena, cabelos lisos, olhos agalegados e amendoados, sobrancelha perfeita e cílios constantemente retocados. Um pedaço de mulher. E como se desgraça pouca fosse bobagem, ainda comercializava produtos eróticos pelos corredores da faculdade.

Reclamava de quase tudo: das aulas, dos professores, da profissão escolhida, da universidade…. era de meter medo. Eu havia chegado à instituição naquele semestre. Claro que estava temeroso. Mas, pra minha surpresa, ela foi com a minha cara. Tratava-me como se fosse um chaveirinho, daqueles souvenires que alguém traz de uma importante viagem internacional. Um presente querido. E, de cara, me disse logo: quero uma crônica! Só que não consigo fazer crônica assim. Tipo “self service”. Preciso sentir a pessoa. Gostar dela. Incorporá-la. E gostei daquela aluna. Sinto-me atraído por aquilo que me assusta. O medo me atrai.

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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