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Jurani Clementino: Covid-19 e isolamento social

Jurani Clementino. Publicado em 20 de março de 2020 às 12:57

As minhas crônicas têm tentado transmitir, através de memórias pessoais ou de terceiros, a alma, o cheiro, os sabores e o cotidiano do povo sertanejo. Mas, hoje, diante de tudo que vem ocorrendo, faz-se necessário falar aqui sobre o problema de saúde pública que afeta o mundo todo e, claro, assusta os mais longínquos rincões desse país: a Covid-19 ou coronavírus como ficou popularmente conhecido. Estamos todos assustados e precisamos nos cuidar. Num primeiro momento achei que o sítio, onde residem os meus pais, lá no sertão cearense, seria o lugar ideal para fugir de tudo isso. Ficar longe dos casos suspeitos e distante também daqueles já confirmados. Buscar desesperadamente refúgio num lugar remoto. 

Só que pensei melhor e achei que, para a segurança dos que ali já se encontram, o melhor mesmo era me isolar aqui na cidade. E torcer para que a contaminação por esse vírus não chegue às zonas rurais desse país. Pelo bem das pessoas mais velhas e das crianças, achei que todos deveriam ficar onde estão. Que devem se resguardar ao máximo. Quanto menos a gente transitar por aí, melhor. Quanto mais tivermos cuidado consigo estaremos protegendo os outros. Ainda é tudo muito desconhecido, muito incerto. 

Naturalmente que a gente que reside nas zonas urbanas e, especialmente, nos grandes centros, não está acostumada a ver a cidade vazia em plena semana. Ruas, bares, restaurantes, avenidas, shopping center tudo parado como se fosse um domingo de manhã. Pessoas isoladas em suas casas, presas em seus apartamentos, sem contato pessoal com o outros, seguindo orientações sanitárias de isolamento social. Os cinco dias dessa semana soaram estranhos. O medo de uma possível infecção generalizada, que colocou praticamente todo mundo em quarentena compulsória, instaurou uma nova forma de ver e viver a vida. O mundo praticamente parou. Ásia, Europa, América… continentes que, antes eram pequenos e alcançáveis em questão de horas ou minutos, tiveram que baixar as suas portas. Aeroportos, fronteiras, entradas e saídas estão sendo fechadas. Os estados também estão fechando suas divisas. O mundo virou uma porção de sítios com limites bem definidos. Quase ninguém pode ir nem vir como antes. Os países restringiram o trânsito interno e externo por causa de um vírus. 

Ainda não sabemos o impacto de todas essas mudanças. Mas imaginamos que serão muitas e, em certos casos, irreparáveis. Profissionais de saúde precisam sair de casa para os hospitais, mas imploram que as pessoas não saiam de suas residências. É trancado em casa que todos devem permanecer. A regra é fugir de tudo e de todos. Um vírus está à solta. Invisível, poderoso, contagiante… A situação preocupa economistas, psicólogos, sanitaristas, estadistas… preocupa a todos. Ninguém vai sair ganhando. Todo mundo vai perder no final das contas. E para que o prejuízo seja diminuído devemos nos proteger. Cuidar dos que estão próximos de nós. O mundo tá estranho. Já falam de uma crise mundial semelhante a segunda Guerra Mundial. Desta vez o inimigo é invisível. 

Sei que meus ouvintes/leitores, pela recepção que tenho, são, em sua maioria senhores e senhoras. Muitos deles com mais de sessenta anos. Um público considerado de risco, vulnerável às consequências da Covid-19, por isso peço que avisem aos seus parentes distantes que permaneçam a onde estão. Cancelem, não comprem, ou remarquem as passagens já adquiridas anteriormente, mantenham contato pelas redes sociais, aguardem isso passar, não faz o menor sentido viajar nesse período como se estivessem gozando de férias. Ninguém tá de férias. Sei que tá sendo difícil para muita gente, especialmente aqueles que moram e trabalham fora como eu. Está sem fazer nada e achar que podia está com os pais, com os amigos, bebendo nos bares ou visitando os parentes. Mas não é seguro. Peçam para que não voltem para casa agora. É uma decisão difícil, mas extremamente necessária. É pelo bem de todos. Que os mais jovens entendam essas decisões que parecem radicais por parte dos governos. E que os familiares ajudem a entender. Ficar em casa ainda é a melhor saída. Agora sim, sem a menor demagogia de políticos fanfarrões: que o senhor Deus nos proteja, nos guarde e nos ilumine. Deve haver luz no fim das trevas.

Jurani Clementino – Campina Grande – 20/03/2020

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Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

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