Jurani Clementino: Caçadores de água

Jurani Clementino. Publicado em 26 de maio de 2021 às 11:45

A busca por água potável seja ela para o consumo humano, para matar a sede dos animais ou para regar as plantações, sempre fez parte do dia a dia do homem da região semiárida. Cavar um cacimbão aqui, construir um açude ali, montar uma barragem no leito de um pequeno rio acolá, tudo isso são estratégias do homem sertanejo para garantir o acesso à água em tempo de estiagem ou secas prolongadas. Mas a engenharia (ou seria a engenhosidade?) do homem do campo faz com que ele recorra/desenvolva ainda outras saídas para resolver/solucionar essa questão. A mais curiosa e, até certo ponto inexplicável, delas é a do “mágico da varinha”.

O que estou chamando aqui de “mágico da varinha” é a habilidade que algumas pessoas possuem para encontrar veios de água subterrânea em lugares secos. Tudo começa com um galho verde de madeira. Uma espécie de forquilha fina em formato de da letra ípsilon que pode ser retirada de um pé de goiabeira. O caçador de água segura forte esse galho com as duas mãos viradas para cima, posicionadas na altura da cintura e anda lentamente pelo terreno aonde se pretende construir um poço. Enquanto a forquilha estiver virada para cima não existe sinal de nenhuma rede de água subterrânea por ali. Quando aquela espécie de varinha mágica, apontar para o chão, mesmo contra a vontade de quem está segurando, é sinal de que é possível encontrar o líquido por ali.

Mas não é somente isso. Caso aquele galho bifurcado oscile entre baixar e levantar ao mesmo tempo, os caçadores de água dizem que é possível encontrar um veio subterrâneo, embora com pouca quantidade de água. Mas quando a forquilha dobra na direção do solo seco e não volta mais a posição anterior, é um forte indício de que, abrindo um poço naquele local, encontrarão água em abundância.

Esse tipo de técnica que é fruto da sabedoria popular, do conhecimento adquirido e herdado dos mais velhos, não é algo novo. Pode ser encontrado em diversas regiões do Brasil. Na literatura produzida sobre essa prática ancestral encontramos dois tipos de denominação: a radiestesia e a hidroestesia. São técnicas usadas ha milhares de anos para encontrar objetos ou elementos da natureza como pedras preciosas, minérios e claro, água. Muito antes da era cristã isso já era desenvolvido no Egito. Dizem que a água subterrânea cria um campo de energia que atrai a varinha puxando como uma espécie de ímã para o chão.

Mas o fato é que nem todo mundo leva jeito para isso. A coisa é tão complexa que alguns caçadores de água dizem, com precisão, além da quantidade de líquido existente ali, a qualidade e a profundidade onde a água se encontra. Tudo isso a partir do movimento daquela varinha mágica. E eles ainda garantem que caso existam mangueiras, canos ou tubulação de água enterrados no solo, a forquilha não os identifica. Ela só vai baixar na direção do chão caso passe, de fato, um veio natural de água subterrânea. Vai explicar.

Jurani Clementino
Campina Grande – PB 26 de maior de 2021

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Jurani Clementino
Jurani Clementino

Jornalista, Doutor em Ciências Sociais, Escritor e Professor Universitário. Autor de: Forró no Sítio (Crônicas, 2018) e Zé Clementino: o ´matuto que devolveu o trono ao rei. (biografia, 2013).

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube