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Um pilarense liberal esquecido: Manoel Clemente

Josemir Camilo. Publicado em 12 de setembro de 2021 às 12:01

A cidade de Pilar, terra do grande José Lins do Rego, no vale do Paraíba, celebrou, neste 14 de setembro, 263 anos de elevação à vila. Mas está previsto no cronograma da Comissão pernambucana do Bicentenário da Junta de Goiana e da Convenção de Beberibe, uma grande homenagem a outro filho, ilustríssimo, não na cultura, mas na história: Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque. É que em 1821, Manoel Clemente liderou um movimento de libertação da província de Pernambuco, junto com outro líder, o português Felippe Menna Callado da Fonseca. Ambos haviam sido presos políticos na revolução republicana de 1817. Mais ainda, o pai de Manoel, o capitão-mor de Itabaiana, João Baptista do Rego Cavalcanti também foi preso como republicano, neste mesmo ano, e enviado, depois, para a Bahia. Juntos, passaram quatro anos presos.

Ao serem soltos, a mando da Assembleia Constituinte portuguesa, voltaram os dois líderes a Pernambuco e se juntaram aos liberais constitucionalistas de Pernambuco. Ambos redigiram um manifesto, conclamando os pernambucanos a se juntarem e derrubarem o general tirano, o governador Luiz do Rego Barreto, e eleger uma Junta Constitucional, em Goiana. Manoel Clemente foi eleito secretário do governo da Junta de Goiana, e com o avanço das tropas “goianistas” para cercar Luiz do Rego, foi nomeado tenente-coronel das tropas liberais. Obrigaram ao general governador a capitular, aceitar um tratado de paz e partir para Lisboa. Por seus feitos, Manoel Clemente foi nomeado, pelo Governo de Goiana, embaixador junto ao rei e às Cortes de Lisboa para apresentar a campanha liberal constitucionalista vitoriosa em Pernambuco.

Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque nasceu em 1791, na vila do Pilar. Ainda não se escreveu a genealogia deste herói. Parece que o tronco base destes Cavalcanti de Albuquerque veio de Igaraçu (PE), onde havia um homônimo e senhor de engenho, Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque; outros, durante o colonialismo, como militares, solicitaram terras entre os rios Capibaribe e Paraíba, por volta de 1715. Família abastada, como se dizia, chegou a emprestar dinheiro à Fazenda Real.

Nada se sabe da infância e juventude de Manoel Clemente, nem que formação teve. A prática das armas deve ter aprendido com seu pai, quanto à cultura material militar.

Em 1817, aderiu, junto com seu pai e o capitão André Dias de Figueiredo à revolução republicana que estourou em Pernambuco e na Paraíba, liderando mais de mil homens de Pilar e Itabaiana, descendo com essa tropa para ajudar o general da revolução, Amaro Gomes Coutinho, na capital paraibana. Derrotado, se passou para Pernambuco, onde lutou ao lado de líderes políticos, padres e militares, caindo preso. Teve mais sorte do o padre Antônio Pereira de Albuquerque, Amaro Gomes Coutinho, e o jovem revolucionário Peregrino de Carvalho, que pagaram com a vida, no Recife. Exatamente, quando era governador de lá, Luiz do Rego.

Vitorioso com a Junta de Goiana e pacificada a província, Manoel Clemente adquiriu uma tipografia, que publicou Frei Caneca; e junto com Felippe Menna, que fundou um jornal liberal. Manoel foi eleito, em 1822, Procurador da Paraíba, para formar o Conselho de Procuradores da Corte do Brasil e, posteriormente, nomeado Conselheiro da Corte, no Rio de Janeiro, recebeu, do Imperador Pedro I, a medalha de honra Cruzeiro do Sul. Teve, em 1822, na coroação do Imperador Pedro I, a honra de conduzir a espada, luvas, e bastão imperiais. Atingiu o máximo de glória ao ser nomeado Presidente da Província de Sergipe em 1824 mas, por fatalidade, morreu quase subitamente, em 02 de novembro de 1826, no cargo, solteiro, não deixando descendentes. Um mês antes, fizera seu testamento, deixando tudo para o seu genitor! Salve, Manoel Clemente Cavalcanti de Albuquerque! Salve, Pilar!

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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