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Josemir Camilo: “Por uma sociedade leitora”

Josemir Camilo. Publicado em 10 de novembro de 2019 às 11:13

Sob este lema, fui convidado a fazer mesa na abertura da II Festa Literária de Pocinhos, a FLIPocinhos, na pessoa de seu organizador Thiago Monteiro, prestando homenagem ao escritor paraibano Jairo Cézar, palestrante daquela noite. Enxerido, não me fiz de rogado, embora o tema me parecesse um tanto semiárido, porque vasto, para um desbravador que chegava pela primeira vez. Comecei a conversar com meus pares (e ímpares) da Academia de Letras que me acompanharam, Thomas Bruno e José Edmilson, poeta, sobre o que falaria de improviso. De repente, um insight (já houve tempo que a gíria era: ‘sacada’. Hoje: “tá ligado?!”): como constituir uma sociedade leitora se a busca aos livros é inversamente desproporcional ao acesso a celulares com whatsApp e outros aplicativos de mensagens e textos curtos?

 O tema é diverso, porque nossa matriz tem sido o texto impresso, o livro, o jornal e similares. Estamos no limiar de uma mudança para novas plataformas de leitura, de uma recuperação do texto escrito, mas por outras mídias. Se ficarmos pensando em tomar de assalto o livro, é possível que nossa proposta de leitura, principalmente por quem representa os cânones da literariedade (as Academias de Letras), é possível (volto a dizer) que nossas propostas de uma sociedade leitora sejam infecundas. Porém, se mudarmos nossa expectativa é possível, sim, criar ou ampliar nossa sociedade leitora.

 A proposta é apostar numa modalidade de texto. Diante da avassaladora corrente de mídia eletrônica, temos que pensar em novas vertentes: a escritura e a leitura eletrônicas. Mesmo porque, nossa rede escolar tem uma carência em internet de 35% e muito mais em computadores desk ou notebook. Para isto, se faz necessário uma nova perspectiva: a plataforma do texto e o texto, minimalista. Temos que aprender com a poesia.

 Parece consenso que estamos lendo por menos tempo e menos livros; no entanto, estamos centuplicando os usuários de celulares, o que não nos garante a expansão da leitura (na visão tradicional), como também não sabemos se haverá uma expansão de analfabetos eletrônicos (digitais), já que o áudio tem intermediado as comunicações que não precisam da escrita. Esta plataforma pode ser a saída para a manutenção e o crescimento do nível de leitura, uma sociedade leitora, se conseguirmos produzir textos mínimos, concisos e potencialmente comunicadores. A sociedade leitora continuará através de novas plataformas, antenadas.

 E, para ser justo com a proposta minimalista, este artigo (como a fala) termina aqui. Dá pra ler num post de zap?

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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