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Josemir Camilo: Os 40 anos da Academia de Letras de Campina Grande

Josemir Camilo. Publicado em 8 de abril de 2021 às 10:42

A Academia foi fundada em 9 de abril de 1981, por uma plêiade de intelectuais campinenses, nativos e adotados tendo, à frente, Amaury Vasconcelos e Aluízio Campos, entre outros. A Academia, inicialmente, se chamou Academia Campinense, mas que por conflitar com a já existente Academia Campinense, adotado pela congênere Academia de Campinas, em São Paulo, nosso Jardim de Academus mudou para ALCG e, por eleição dos membros passou a chamar-se Casa de Afonso Campos. Mudanças ocorreram e, com a reforma do estatuto, em 2002, pela Assembleia dos seus membros, passou a se denominar casa Amaury Vasconcelos.

Nosso pertencimento espacial engloba o Compartimento da Borborema; daí, que personagens, patronos, confrades e candidatos de Areia, Esperança, Alagoa Nova, Cabaceiras e demais cidades, podem concorrer a uma cadeira vacante. Nosso entendimento é de estender para aquilo que corresponde à antiga cartografia do município (Termo, à época) de uma Campina Grande colonial.

Sobre este aspecto, os fundadores da ALCG escolheram alguns nomes da eminência intelectual da cidade, embora tenha havido esquecimento em detrimento ao gênero feminino, para patronesses, quando se compara com a Coletânea de Autores Campinenses, esta, então, uma virtual Academia de Letras, elaborada pela Comissão do Centenário de Campina Grande, como Heloisa Bezerra, Iracema Marinho, Maria do Carmo de Araújo Lima, Nair de Gusmão, e Selma Vilar.

A Academia, reconhecida de utilidade pública, tanto por lei municipal, como por lei estadual, desde seu nascimento, não dispõe de sede própria, e vem sendo carregada, como um exercício do mitológico Sísifo, a cada gestão, por seus presidentes. Durante muito tempo foi acolhida na residência de seu fundador, o saudoso Amaury Vasconcelos; em seguida, em casa do segundo presidente, também saudoso, Moacir Germano Brasil. Até que uma instituição, o Memorial Severino Cabral, com apoio da Prefeitura, e graças à generosidade da família Cabral, adotou a Academia em seu belo edifício. Novas mudanças de casa sob a direção do professor Ailton Elisiário, e a Academia passa a ser acolhida pela FURNE, onde permanece, até hoje. No presente momento, este que vos escreve, passou a ser o quarto diretor-presidente, nestes 40 anos de existência da ALCG.

Esta versão tropical do Jardim de Academus (ou Acádemos, herói grego), até hoje, já acolheu mais de uma centena de intelectuais, tanto os aqui nascidos, como Irenêo Jofilly, Aluízio Campos e Afonso Campos, Mello Leitão, Mauro Luna, Anésio Leão, Hortênsio Ribeiro, Cristino Pimentel, Antônio Figueiredo Agra, Edvaldo de Souza do Ó e atuais membros, como Elizabeth Marinheiro, Agnello José de Amorim, Evaldo Gonçalves, Leônia leão, Josué Sylvestre, como os ‘leais forasteiros’: Epaminondas Câmara (de Esperança), Elpídio de Almeida e Benvindo Vasconcelos (de Areia); Clementino Procópio, bem como nossa última confreira empossada, Valéria Vanda e este que vos escreve (pernambucanos); Almeida Barreto e Itan Pereira (potiguares), Raymundo Asfora, Stênio Lopes e Jurani Clementino (cearenses), Mabel Amorim (alagoana) e um lusitano, António Soares, entre outros. Uma Academia Nordestina.

Esta plêiade de intelectuais, de acordo com um levantamento feito por meus antecessores e organizado pelo ex-presidente, Ailton Elisiário, já publicara cerca de 150 livros, até 2014, o que dá uma média de cinco livros por ano. Os mais produtivos, têm sido, em quantidade de livros, Ailton Elisiário, Josué Sylvestre, Lourdes Ramalho, Evaldo Gonçalves e Ronaldo Cunha Lima, Elizabeth Marinheiro e Nêumanne Pinto.

Considerando, no entanto, o número de patronos e acadêmicos, a proporção é de um livro para cada acadêmico, já que muitos atuavam quase que só em jornais. Mas, a maior produção da Academia está em sua revista, que, infelizmente não tem conseguido mais patrocinador para sair novo número, já que o último foi lançado em 2008.

A partir de 2015, em aumentado a produção literária com a confreira alagoana, Mabel Amorim, para crianças e um romance; e o poeta e ensaísta, Bruno Gaudêncio. Em nossa administração, iniciada em 2017, até hoje, o salto tem sido grande, pois o novo quadro tem-nos trazido o gigante das edições de livros, o mago da linguagem regional, o confrade Efigênio Moura, premiado recentemente pela Lei Aldir Blanc, com uma literatura mais regionalista, assim como Paulo Cavalcante, sobre secas; até uma posse coletiva envolvendo o ativista cultural, João Dantas; o poeta e cronista, José Edmilson Rodrigues, e o dublê de engenheiro florestal e escritor, excelente orador, o confrade Daniel Duarte, com o seu “Plantas, Prosa e Poesia do Semiárido”. Outro grande produtor tem sido o confrade Thélio Farias, dominador de vários estilos, cuja referência literária é sua obra sobre Pedro Américo; o poeta José Edmilson, publicado em vários suplementos do país; Jurani Clementino, com sua biografia sobre Zé Clementino, compositor de Luiz Gonzaga, e crônicas da vida simples do interior; e Rau (Hazencleves) Ferreira da Costa, com seu resgate da obra de seu patrono, Silvino Olavo; além de Valéria Vanda, em franca produção de livros de crônicas e Memórias. Também neste gênero narrativo, desponta o atual decano de nossas presidências, o confrade Aílton Elisiário, que navega entre História da Maçonaria, memórias de sua cidade, crônicas e literatura de seu ramo de cientista social. Mais recentemente, assumiu o jornalista político José Arimatea. Posse famosa teve nosso produtor de peso na imprensa, nosso maior crítico literário, o confrade José Mário da Silva Branco, membro também da Academia Paraibana de Letras.

Neste milênio, nosso quadro tem sido desfalcado de grandes nomes, por suas passagens à imortalidade, do Jardim de Academus ao Pantheon, ao lado de Mnemosine (a deusa da Memória). Subiram à memória, o Padre Ruy Vieira (de Areia), Amaury Vasconcelos, Ronaldo Cunha Lima, Stênio Lopes, José Laurentino, Rômulo Araújo, Celso Pereira, Ademar Martins Leite, José Farias Tavares, Hermano José Bezerra, Molina Ribeiro e Paulo Gustavo Galvão. As últimas cadeiras vacantes, decorrentes da passagem à imortalidade, são as de Moacir Germano, Josefa Dorziat. Outras partidas nos consternaram como a de Lourdes Ramalho, que dispensa adjetivos, tão grande foi, e imenso legado nos deixou; Rosália Ribeiro, a professora que São Paulo soube reconhecer, acolhendo-a em sua universidade, a filha do patrono Hortênsio Ribeiro.

Recentemente, partiram Leônia Leão, a dama da Academia, a eterna secretária de nossas administrações, e o nosso bravo caririzeiro, Antônio Juarez Farias, baluarte da produção literária de gestão de recursos.

Gostaria de destacar o celeiro que tem sido a nossa ALCG, que além de ter, entre os patronos, três membros como primeiros ocupantes da Academia Paraibana de Letras, Hortênsio Ribeiro, Mauro Luna e Epaminondas Câmara, tem também acolhido bravos literatos como Juarez Farias, ex-presidente da Academia Paraibana de Letras, Evaldo Gonçalves, Amaury Vasconcelos, Elisabeth Marinheiro, Ronaldo da Cunha Lima, José Nêumanne Pinto e José Mário da Silva Branco.

Como diz o poeta Manoel de Barros: “Não oblitero moscas com palavras/ Uma espécie de canto me ocasiona. / Respeito as oralidades. / Eu escrevo o rumo das palavras. / Não sou sandeu de gramáticas, (…)/ Palavras que eu uso me inclui nela”.

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Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

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