Fechar

logo

Fechar

Josemir Camilo: A Academia de Letras de Campina Grande na I FLAREIA

Josemir Camilo. Publicado em 2 de novembro de 2019 às 11:40

A Academia de Letras de Campina Grande participou ativamente da I Feira Literária de Areia (26/10 a 01/11), ativamente, através de alguns acadêmicos, como Bruno Gaudêncio e Thélio Farias, dois promissores escritores além de outros acadêmicos que estiveram presentes à excelente palestra do jornalista e escritor Laudelino Gomes e subsequente lançamento de seu livro Escravidão. Lamentamos que Campina Grande tenha ficado de fora do circuito de lançamentos. Incluímos a nossa presença nas homenagens a Horácio de Almeida, no Casarão de José Rufino, onde o historiador teria nascido.

Houve uma noite dedicada à Academia de Letras de Campina Grande para homenagear a memória do filho adotivo, o alagoa-grandense, Amaury Araújo de Vasconcelos por nosso confrade, Dr. Evaldo Dantas da Nóbrega, seu sucessor na cadeira. Lembramos, na ocasião que esta festa era extensiva a outros três acadêmicos nativos ou adotados desta cidade, a Atenas Paraibana. Nativo foi Antônio Benvindo de Vasconcelos, pai de Amaury Vasconcelos, Patrono da Cadeira nº 32, cujo ocupante fundador, Monsenhor Ruy Barreira Vieira foi um grande areiense adotado e lá viveu por décadas. Se Amaury Vasconcelos estava sendo homenageado por sua vivência e apego a Areia, honra maior era esta cidade vê-lo fundador da Academia de Letras de Campina Grande, junto com outros intelectuais e, mais ainda, ser fundador da cadeira de nº 11, que tem como patrono o grande areiense, Elpídio Josué de Almeida. Há que incluir neste rol de grandes intelectuais o imortal Átila Augusto Freitas de Almeida, filho do historiador da cidade, Horácio de Almeida.

Mas fiquemos com Antônio Benvindo, que nasceu no engenho Bujari, em 04/06/1899, filho de Pedro Hermilo Cabral e Arcanja Augusto Cabral Vasconcelos. Cedo, ficou órfão de pai e foi criado por seu tio-avô, o Cônego Odilon Benvindo, que também criou o primo, José Américo de Almeida. O Cônego mandou Benvindo para o seminário, na capital, mas com sua morte, o seminarista furtou-se à vida eclesiástica, onde passara nove anos. Dedicou-se ao magistério e, posteriormente, se passou ao Recife, onde ingressou na Faculdade de Direito. Permaneceu um pouco obscuro o abandono do Curso e a volta para Paraíba, para servir de oficial de Gabinete de Solon de Lucena. Foi, neste período, que amadureceu intelectualmente, escrevendo para jornais, publicando seu livro de crônicas Alvorada e, em seguida, o romance Sady e Ágaba, livro icônico dos discursos de seu filho Amaury.

Funcionário de governo é pau mandado e, com a morte do seu protetor Solon de Lucena, o novo mandatário o deslocou para Mamanguape, onde fundou uma escola correcional para meninos. Tentou, novamente, voltar para o Curso, no Recife, mas a nova direção não aceitou a modalidade de frequência pretendida por Benvindo. Passou, então, a morar em Alagoa Grande, já casado com Amara Araújo de Vasconcelos, de família de Itabaiana, o encontro do brejo com o agreste, duas cidades de rompantes históricos. O casamento é coroado com o nascimento de Amaury Araújo Vasconcelos.

Nessa cidade, abriu escola e se dedicou ao jornalismo, escrevendo com frequência para dois jornais católicos da capital. Mudou-se para Guarabira (1932), onde fundou o colégio Pedro Américo e até foi eleito vereador. Tempos depois, adoentado e ‘decepcionado com a injustiça dos homens’, nas palavras de outro grande pastor, adotado pelo povo areiense, Monsenhor Ruy Barreira. Antônio Benvindo voltou para sua cidade natal (1937), a querida Areia. Novamente, abriu uma escola e foi convidado a ensinar Português no ensino Técnico, na Escola de Agronomia do Nordeste. Por sua fama de professor e escritor, tornou-se, também professor do Colégio Santa Rita, onde passou a escrever e montar peças, sendo, até, ator; o que o ligava diretamente a este recinto sagrado da cultura, o seu tão querido Teatro Minerva.

Como mestre da língua, Benvindo preparou, mas nunca pode dar à lume, sua gramática: “Pontos de Vernáculo”. Conhecedor de outras cidades, por onde passara, era ao idílico de sua Areia, da velha Vila Real do Brejo de Areia, para onde ele carreava suas emoções e percepções. Monsenhor Ruy narra o Benvindo telúrico que o introduziu na sociedade areiense, quando para cá fora designado pelo senhor Bispo da Paraíba, nos fins da década de 1940. Mal podia adivinhar o senhor vigário que seu cicerone, amante dos sinos e das palmeiras da cidade, viveria tão pouco mais, falecendo aos 52 anos de idade, em 29/09/1951.

Fundou o jornal O Século, que durou três anos. Prolífico em sua produção literária, escreveu peças teatrais, crônicas e artigos. Sua gramática da Língua Portuguesa recebeu excelentes comentários. Deixou-nos os livros “Sady Castor”, (sobre uma tragédia juvenil na capital), “O Vigário Odilon Benvindo” e “Crônicas e Conferências”. E, mais que tudo, plantou no coração e na mente de seu querido filho, Amaury Vasconcelos, sua semente de continuidade. Não existiria Amaury, sem Benvindo. Benvindo Amaury de Vasconcelos, através das palavras de Evaldo Dantas da Nóbrega!

Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Josemir Camilo
Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube