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José Mário da Silva: Saudades de um amigo querido que partiu

José Mário. Publicado em 20 de janeiro de 2021 às 20:14

Convivi com ele, ao longo de quase nove ininterruptos anos, quando trabalhei na Associação Comercial de Campina Grande, para a qual fui conduzido pelas generosas mãos do saudoso e inesquecível amigo Antonio de Oliveira Jatobá, legenda imorredoura da vida empresarial de Campina Grande.

Foi o meu primeiro emprego com carteira assinada. O ano era mil novecentos e oitenta e dois, em cuja quadra cronológica a cidade de Campina Grande fervia no memorável embate político que pôs, em planos diametralmente opostos, duas das mais emblemáticas figuras da política campinense: Antônio Vital do Rêgo e Ronaldo Cunha Lima, lideranças que, dentre outros traços caracterizadores das suas ricas biografias, destacavam-se no superior cultivo da arte tribunícia.

Na Associação Comercial de Campina Grande, tudo era para mim sinônimo de novidades, descobertas e rica aprendizagem de saberes que a pouco e pouco iam se incorporando ao meu ser/fazer cotidiano. Nos meus primeiros passos no novo trabalho, logo percebi que o meu querido amigo era Assessor de Imprensa da importante entidade classista de Campina Grande.

Via-o, tão logo chegava ao ambiente de trabalho, cercado de jornais por todos os lados, os quais eram, um a um, alvos da sua leitura mais detida. Depois, recortada as matérias atinentes à vida comercial da cidade e, com elas, compunha uma espécie de memória informativa de tudo quanto se compatibilizava com a natureza pulsante de uma Campina sempre Grande e vocacionada para voos que, permanentemente, fizeram-na arrebatada para a imortalidade.

Ampliando os compassos de sua competente ação profissional, logo, logo o meu querido amigo se foi tornando um consagrado nome da imprensa de Campina Grande, tanto que não demorou muito para se tornar, pela majoritária vontade dos seus pares, Presidente da ACI – Associação Campinense de Imprensa, em cujo interior promoveu uma gestão que, de acordo com o testemunho dos representantes da classe, primou pela cordialidade e pelo infrangível espírito de agregação de todos os seus componentes, constituindo-se, acima de tudo, num construtor de pontes, demolidor de muros e consolidador de amizades. Ao tempo em que prestou relevante assessoria de comunicação a vários órgãos da cidade de Campina Grande, em todos eles imprimindo o indelével selo da sua sobrante capacidade profissional, do seu indeclinável compromisso com o desenvolvimento de Campina Grande, o meu querido amigo se revelava um cidadão de fino trato, sempre pródigo em estabelecer empáticas e cativantes relações interpessoais.

Forrado pelo manto de numerosos e multiplicados talentos, o meu querido amigo também brilhou na área da radiofonia campinense, na protagonização de programas que realizavam enriquecedoras entrevistas com significativas personalidades da cidade de Campina Grande. Recordo-me, vivamente, de uma entrevista realizada com o empresário campinense Walter Pacheco de Oliveira, pioneiro no ramo de comércio eletrônico na cidade de Campina Grande. Desportista apaixonado, o coração do meu querido amigo batia forte pelas cores rubro-negras da legendária Raposa Serrana, o único Clube Hexacampeão paraibano e o único a conquistar a cobiçada Copa do Nordeste.

O meu querido amigo era casado, e recebeu de Deus o singular privilégio da paternidade, sendo pai de uma filha, com quem, ao lado da esposa, compartilhava os seus afetos mais intensos, o seu amor mais genuíno e imperecível, o sublime sonho de ver no outro, que é a projeção de si mesmo, o prolongamento de um maravilhoso e incomparável milagre chamado vida.

No último dia doze do mês de novembro do recém-findo ano de dois mil e vinte, reencontrei o meu querido amigo num consultório médico. Dialogamos durante vários minutos, diálogo fraterno e bem humorado. Repisamos alguns acontecimentos do passado, do tempo em que estivemos juntos na Associação Comercial de Campina Grande. Momento bom, portador de fraterna e doce nostalgia, mas também ratificador da imperiosa constatação de que o tempo passa; e nós voamos, conforme nos afirma a Escritura Sagrada.

De que somos, de acordo com a realista e poética sentença do sacro autor Tiago, como uma neblina que sobe e logo se desvanece. Ao final do encontro, desejamos um ao outro um Feliz Natal e um Ano Novo cheio de grandes venturas e alvissareiras realizações.

Fragílimos e absolutamente inscientes quanto ao que nos reserva o futuro, jamais seríamos capazes de imaginar que os dias de vida do meu querido amigo Fernando Soares dos Santos estavam chegando ao fim. Que complicações decorrentes da contaminação pela covid-19 poriam um ponto final na existência terrena do meu amigo querido.

Os caminhos percorridos pela Providência divina são misteriosos e absolutamente insondáveis para a finita, limitada e pecaminosa mente humana. No albor de uma juvenília tecida e destecida pelos fios existenciais de pouco mais de cinquenta e quatro anos de idade, Fernando Soares dos Santos foi convocado por Deus para fazer a travessia que nos transporta do tempo para os invisíveis, mas reais, bastidores da eternidade. A morte, contudo, não é o fim, nem jamais o será.

A vida, dom bendito de Deus, jamais terá num corpo frio, inerte e agasalhado pelas flores do adeus, a sua imagem mais efetiva. No túmulo vazio do Cristo ressurreto, vislumbramos a cósmica mensagem de que a vida venceu a morte. E, para os que creem na pessoa e na obra de Jesus Cristo realizada na cruz do calvário; e, ao serem confrontados pela desafiadora palavra do evangelho, em Cristo Jesus depositam toda a sua confiança, de Deus, e da sua infalível Palavra, recebem a promessa da vida eterna.

Do querido amigo Fernando Soares dos Santos, fica a saudade, a terna lembrança, a suave memória de um jovem talentoso, trabalhador; e, acima de tudo, um fervoroso amante de Campina Grande, por cujas causas, ele guerreou sobranceiramente. Que o doce e consolador bálsamo do Santo Espírito de Deus paire, abundantemente, sobre todos os familiares de Fernando Soares dos Santos; aplaque a dor da saudade e lhes renove as forças para o prosseguimento da renhida batalha da vida.

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