Fechar

Fechar

Joffily revisitado

Josemir Camilo. Publicado em 15 de dezembro de 2017 às 20:10

Por Josemir Camilo de Melo (*)

Pela passagem do dia 15/12, a Academia de Letras de Campina Grande comemora o natalício de um dos seus maiores patronos (o da Cadeira nº 15), o historiador Irineu Ceciliano Pereira da Costa (Irenêo Joffily), nascido em 1843. Para comemorar a data e manter acesa sua memória, reproduzo, aqui, um artigo que publiquei em jornal: O centenário de Joffily, em 2002, acrescido de algumas notas.

“Em fevereiro passado, completaram-se cem anos do falecimento do maior intelectual campinense, Irenêo (Joffily) Ceciliano Pereira da Costa. Campinense, porque nascido em Pocinhos, quando era distrito de Campina Grande, em 1843 (hoje, o trecho da fazenda pertence ao município de Esperança). É um dos maiores historiadores paraibanos, porque teve como meta resgatar a história de seu povo. Em vida, Joffily, (nome artificial que inventou em 1867, quando cursava o segundo ano de Direito, em Recife) não foi o intelectual de gabinete como acontecia com os historiadores amadores, ou não, ligados ao espírito positivista dos Institutos Históricos”.

Segundo consta em Elpídio de Almeida, descendia o pai de Irineu dos primeiros povoadores da região. Era neto de Bárbara Maria da Pobreza, a rica proprietária de Camucá, S. Tomé e Gravatá, município de Alagoa Nova, que se casara em segundas núpcias com Joaquim Vieira da Costa. Bárbara, natural de Goiana, era filha de Sebastião Gomes Correia e Maria Gomes da Assunção, possuidores de sesmarias no Cariri, desde 1736.

Começou seus estudos em Cajazeiras, em 1857, no colégio do Padre Rolim, de onde teve que sair, fugindo da cólera que, no entanto, vitimou seu pai. Em 1866, ingressou no curso de Direito de Recife e, formado, foi nomeado promotor de São João do Cariri e logo transferido para Campina, onde seria Juiz Municipal. Em seguida, se elegeu deputado provincial, tendo sido, no final do Império, 1888, o primeiro campinense a ser eleito deputado geral (federal), mas não assumiu, porque o Império caiu.

Suas andanças iniciais o levaram de Campina a Fortaleza, através do Rio Grande do Norte, a cavalo, coletando dados e informações que, depois, ajudariam a publicar suas Notas Sobre a Parahyba. Aproveitou este material para retificar os limites entre a Paraíba e o Rio Grande do Norte. Iria, depois, em 1889, a Taperoá, à Serra do Pico além de ter também subido o Pico do Jabre.

Em 1888, já jornalista militante na capital, resolve, em Campina Grande, fundar, com o engenheiro Francisco Soares Retumba (júnior), A Gazeta do Sertão, que teve apenas três anos de vida, sendo empastelada pelo chefe de polícia, Probo Câmara, a mando de Cristiano Lauritzen.

Político e juiz, travou polêmicas com os chefes políticos conservadores campinenses, como Cristiano Lauritzen, tendo sido perseguido e sua propriedade invadida. Polemizou, também, com o jovem Epitácio Pessoa. Com a república, Joffily entra no Partido Católico, mas não consegue se eleger, dedicando-se ao jornalismo e à História. Em 1892, lança o seu Notas Sobre a Parahyba e, em 1896, Synopsis das Sesmarias da Capitania da Parahyba. Acometido de hanseníase, recolhe-se e assina artigos em A União, por volta de 1901, dando esteios ao que ele tão carinhosamente defendeu, o mito do Cariri como povo dominante e forte da Serra da Borborema.

Ainda, segundo Elpídio de Almeida, Joffily, ao morrer, em 07/02/1902, deixou viúva, Raquel Olegária Tôrres Jóffily, filha de João Martins Tôrres Brasil e de sua mulher, Maria do Carmo Tôrres, e neta de Maria da Penha, a proprietária dos sítios Catolé e Gravatá. Ficaram sete filhos ao todo. Três filhas já estavam casadas, uma deles, Irene, com o bacharel Francisco Augusto Pereira da Costa, filho do historiador pernambucano de mesmo nome. (Neste nome, creio que reside uma parte consciente de Irenêo de mudar seu sobrenome – seriam dois intelectuais, no Recife, como o sobrenome Pereira da Costa). Deixou Irenêo Joffily, ainda um filho, o padre João Irineu, que alcançou o Arcebispado. Outro filho, homônimo, com 16 anos, que se bacharelou em Direito, depois de exercer a advocacia e de ocupar cargos políticos (deputado estadual e interventor no Rio Grande do Norte), ingressando na magistratura federal. A filha mais moça, Maria, ficou com treze anos.

Em 1982, convidado por seu neto, o ex-deputado José Joffily, ao lançamento de sua biografia do avô, resenhei “Entre a Monarquia e a República: Ideias e Lutas de Irenêo Joffily”, tentando ajustar algumas notas e interpretações. Resenhei também o velho Joffily, em 1992, no centenário de Notas Sobre a Parahyba, por entender que Joffily ainda é uma grande fonte de documentação histórica.

Na esteira de meus estudos sobre tão importante personagem, pretendo investigar, usando um pouco de psicanálise (com o perdão dos analistas de plantão) para entender por que Joffily trocou de sobrenome. Não pretendo, aqui, avançar, nada. Salve o nosso maior Historiador paraibano!

(*) Professor, historiador, presidente da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Josemir Camilo

* PhD em História pela UFPE, professor aposentado da UFPB, membro do Instituto Histórico de Campina Grande.

falecom@fhc.com.br

Simple Share Buttons

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube