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Campina Grande - PB

Jesus e seus discípulos – VI

12/10/2017 às 8:05

Fonte: Da Redação

Por Gomes Silva (*)
Estudo sobre Mateus 10:11-15Eis aqui uma passagem cheia de conselhos práticos para os mensageiros do Rei.
Quando entrarem em uma cidade ou aldeia deverão procurar para hospedar uma casa que seja digna. A idéia é que se escolhiam como lugar de residência uma casa de má reputação, esta circunstância podia agir como impedimento em sua tarefa. Não deviam identificar-se com ninguém que pudesse dificultar sua tarefa. Isto não quer dizer que não deviam tratar de ganhar nessas pessoas para Cristo, mas sim o mensageiro de Cristo deve ser cuidadoso na escolha de seus amigos íntimos.
Quando chegavam a uma casa, deviam ficar nela até que viajarem para outra cidade. Esta recomendação tem a ver com a mais elementar cortesia. É bem possível que depois de ter chegado a um lugar e procurado alojamento nele, o mensageiro, tendo ganho alguns discípulos, se visse tentado a mudar-se a outra casa que pudesse lhe oferecer maior luxo ou comodidade ou melhor companhia. O mensageiro de Cristo nunca deve dar a impressão de que corteja as pessoas por sua posição material, ou de que age guiado pelas exigências de sua comodidade.
A recomendação sobre a saudação, que se não for recebido deve recolher-se, é tipicamente oriental. No Oriente a palavra falada é concebida de maneira tal que pode atribuir-se a ela uma sorte de existência independente e ativa. Saía da boca do que fala com a mesma realidade que uma bala sai da boca de um revólver. Esta idéia aparece em repetidas oportunidades no Antigo Testamento, especialmente quando se trata das palavras que Deus fala. Isaías ouviu que Deus dizia: “Por mim mesmo tenho jurado; da minha boca saiu o que é justo, e a minha palavra não tornará atrás. Diante de mim se dobrará todo joelho, e jurará toda língua” (Isaías 45:23). “Assim será minha palavra que sai de minha boca; não voltará para minha vazia mas sim fará o que eu quero, e será prosperada naquilo para que a enviei” (Isaías 55:11). Zacarias vê um rolo voador e ouve uma voz que lhe diz: “Esta é a maldição que sai sobre a face de toda a terra” (Zacarias 5:3).
Até nossos dias, no Oriente, se alguém saudar outro pela rua com uma bênção e depois descobre que o outro professa uma fé diferente à sua, voltará para recolher de volta sua bênção. A idéia nesta passagem é que o mensageiro do Rei pode pronunciar sua bênção sobre uma casa, e se esta é indigna de recebê-la pode, por assim dizer, recolher sua bênção e levá-la de volta.
Se em algum lugar a mensagem é rechaçada, os mensageiros do Rei devem sacudir o pó desse lugar que tiver ficado preso em suas sandálias e ir para outra parte. Para o Judeu o pó de um caminho ou lugar de gentios tinha a qualidade negativa de torná-los impuros; portanto, cada vez que um judeu cruzava o limite da Palestina, depois de ter viajado por terra de gentios, sacudia de suas sandálias o pó dos caminhos gentios, para eliminar deste modo, até a mais insignificante partícula de impureza. Jesus diz a seus discípulos: “Se alguma cidade ou vila não receber a mensagem, devem tratá-la como se fosse um lugar gentio.” Devemos procurar entender claramente qual é a idéia que Jesus está tratando de comunicar.
Nesta passagem há duas verdades, uma transitiva e a outra eterna.
(1) A verdade transitiva é a seguinte. Jesus não está dizendo que certas pessoas deviam ser abandonadas como se estivessem fora do alcance da mensagem do evangelho e da graça. Esta instrução é similar a de que no momento não devem dirigir-se aos gentios ou aos samaritanos. Seu significado depende da situação em que a reparte. Deve-se principalmente ao fator tempo. Os discípulos dispunham de pouco tempo; era necessário que a maior quantidade possível de pessoas ouvisse a proclamação do Reino; nesse momento não havia tempo para discutir com os discutidores ou tratar de ganhar os teimosos. Isso viria mais tarde. Naquele momento os discípulos deviam percorrer toda a região, o mais rapidamente possível, e portanto deviam prosseguir seu caminho quando sua mensagem não tinha uma acolhida imediata.
(2) A verdade permanente é a seguinte: Um dos fatos mais importantes da vida é que em geral as grandes oportunidades nos são apresentadas uma só vez, e se não formos capazes das aproveitar, perdemos definitivamente a possibilidade de fazer uso delas. Os habitantes da Palestina tinham a grande oportunidade de conhecer e aceitar o evangelho. Se não a recebiam, muito provavelmente nunca mais se lhes voltaria a oferecer. Como diz um provérbio tradicional inglês: “Há três coisas que não voltam: A palavra falada, a flecha que se arrojou e a oportunidade perdida.” Isto ocorre em todas as esferas da vida. Em sua autobiografia, Chiaroscuro, Augustus John, o famoso artista inglês, relata um incidente de sua vida e o comenta de maneira lacônica, dizendo:
“Estava em Barcelona, Espanha e tinha chegado o momento de viajar a Marselha, na França. Tinha enviado antecipadamente minha bagagem e me dirigia caminhando para a estação quando encontrei três ciganas que compravam flores em um quiosque. Tanto me impressionou a beleza dessas mulheres e sua fulgurante elegância, que quase perco o trem. Quando cheguei a Marselha a visão daquelas mulheres ainda seguia me perseguindo. Senti que tinha que voltar para Barcelona para buscá-las. E o fiz. Mas nunca voltei a encontrar a aquelas três ciganas. Nunca encontramos o que perdemos uma vez.”
O artista estava sempre procurando brilhos de beleza que transferir ao tecido mas sabia que se não a pintava quando a achava, provavelmente nunca voltaria a ter essa visão. Muito freqüentemente a tragédia de muitas vidas é a tragédia de uma grande oportunidade perdida.
Por último ouvimos que no dia do juízo será menos grave o destino da Sodoma e Gomorra que o do povo ou a aldeia que tenha rechaçado a mensagem de Cristo e do Reino. Sodoma e Gomorra, no Novo Testamento,, são exemplos clássicos de maldade (Mateus 11:23-24; Lucas 10;12-13; 17:29; Romanos 9:29; 2 Pedro 2:6; Judas 7).
É interessante e pertinente com relação a esta passagem assinalar que justamente antes de sua destruição Sodoma e Gomorra foram culpados de uma grave violação das leis da hospitalidade (Gênesis 19:1-11). Eles também tinham rechaçado aos mensageiros de Deus. Mas Sodoma e Gomorra não tiveram a oportunidade de rechaçar a mensagem do Cristo e seu Reino. É por isso que seu destino o dia do julgamento será menos trágico que o das cidades e aldeias da Palestina. A maior privilégio, maior responsabilidade.  

Obs: Este texto foi extraído de estudo sobre Mateus 10, publicado pela bibliotecabiblica.blogspot.com com as devidas correções

(*) Pastor

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