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Jesus e seus discípulos – V

Gomes Silva. Publicado em 29 de setembro de 2017.

Por Gomes Silva (*)

Estudo sobre Mateus 10:8b-10 (Continuação)

Cada uma das frases e palavras desta passagem, sem lugar a dúvidas, era familiar ao ouvido dos contemporâneos de Jesus. Nela Jesus dá a seus discípulos as instruções e ordens que davam a seus discípulos os melhores rabinos e no mais elevado dos espíritos do judaísmo daquela época.

“Vocês receberam gratuitamente”, diz Jesus, “dêem gratuitamente.” A Lei exigia que os rabinos ensinassem gratuitamente; estava-lhes absolutamente proibido receber dinheiro pelo ensino da Lei, visto que Moisés a tinha recebido gratuitamente de Deus. Somente em um caso podia o rabino receber algum pagamento: quando seu discípulo fosse um menino; porque ensinar ao menino era uma responsabilidade dos pais, e nenhum outro podia esperar-se que gastasse seu tempo e sabedoria naquilo que era dever do pai e da mãe. Mas o ensino superior devia repartir-se gratuitamente, sem dinheiro e sem preço. Na Mishná a Lei estabelece que se alguém cobrar por agir como juiz, seus julgamentos não são válidos, e se receber alguma retribuição por dar testemunho, seu testemunho é nulo.

O rabino Zadok disse: “Não faça da Lei uma coroa para se engrandecer nenhuma pá com a qual cavar.”. Hillel afirmou: “Quem faz uso mundano da coroa da Lei perecerá. Você pode inferir disto que quem quiser obter benefícios ou lucros de qualquer tipo com as palavras da Lei está contribuindo para sua própria destruição.” Outro mestre disse: “Assim como Deus ensinou a Moisés de graça, faça você o mesmo.”

Há uma história que se refere a um tal rabino Tarfón. Ao finalizar a colheita dos figos, ele estava caminhando por um horta e comeu alguns dos figos que tinham sido deixados nas árvores pelos ceifeiros. Os guardiões do campo vieram e lhe deram uma surra, mas ele lhes disse quem era, e ao reconhecê-lo como um famoso rabino o deixaram ir. Toda sua vida o rabino Tarfón se lamentou de ter-se valido de sua condição de rabino para ajudar-se em uma situação difícil. “Todos os dias de sua vida se lamentou dizendo: ‘Miserável de mim, porque usei a coroa da Lei para meu próprio benefício’.”

Ao dizer Jesus a seus discípulos que tinham recebido gratuitamente o que tinham e deviam dar gratuitamente, estava repetindo as mesmas palavras que os mestres de religião de seu povo tinham vindo ensinando a seus próprios discípulos desde longa data. Se alguém possuir um segredo precioso, seu dever, evidentemente, não é guardá-lo para si mesmo até que o paguem, mas deve comunicá-lo de boa vontade. É um privilégio compartilhar com outros as riquezas que recebemos de Deus.

Jesus diz aos doze que não procurem ouro, prata ou cobre para levar em seus cintos. Os cintos com que os judeus atam a roupa na cintura eram bem largos, e em suas extremidades possuíam um duplo fundo no qual era costume levar o dinheiro. O cinto era a carteira dos judeus. Além disso, os discípulos não deviam levar alforjes. Estes alforjes podem ser a espécie de mochila em que comumente se levavam as provisões. Mas há outra possibilidade. A mesma palavra designava naquela época a bolsa que os mendigos usavam para mendigar. Às vezes os filósofos ambulantes depois de ter ensinado recolhiam uma esmola entre os que tinham recebido seu ensino.

Com todas estas disposições, Jesus não procurava criar uma situação difícil para seus discípulos. Outra vez, pode dizer-se neste caso, que estava repetindo ensinos que todos os judeus conheciam muito bem desde há muito tempo. O Talmud diz que ninguém deve ir ao Monte do Templo “com cajado, sapatos, cinturão de dinheiro ou pés sujos de pó”. A idéia era que ao entrar no templo tudo o que estivesse relacionado com os negócios, com os trabalhos ou as preocupações deste mundo ficasse para trás. Aqui Jesus está dizendo a seus discípulos que devem considerar o mundo inteiro como templo de Deus. O homem de Deus, não deve dar a impressão de ser um homem de negócios, atento ao que pode obter. As instruções que Jesus dá a seus discípulos indicam que o homem de Deus deve demonstrar por sua atitude para com as coisas materiais que é um homem de Deus, e que seu primeiro interesse é Deus e não as coisas materiais.

Por último, Jesus diz que digno é o trabalhador do seu alimento. Isto também qualquer judeu o teria reconhecido. É certo que o rabino não estava autorizado a receber pagamento por seu ensino. Mas ao mesmo tempo se considerava um privilégio e um dever dar de comer aos mestres religiosos, se estes eram verdadeiramente homens de Deus.

O rabino Eliézer Ben Jacob disse: “Quem recebe a um rabino em sua casa, ou como seu hóspede, e lhe permite desfrutar de suas posses, a escritura o reconhece como se tivesse feito uma oferenda contínua.

O rabino Jocanán estabeleceu que toda comunidade judia tinha a obrigação de manter um rabino, quanto mais porque o rabino descuida seus próprios assuntos para concentrar-se nos de Deus.

Aqui temos a dupla verdade: o homem de Deus nunca deve preocupar-se muito pelas coisas materiais; mas o povo de Deus nunca deve esquecer seu dever de que o homem de Deus receba tudo o que razoavelmente pode necessitar para seu sustento. Esta passagem estabelece uma obrigação tanto sobre o ministro como sobre o povo.

Obs: Este texto foi extraído de estudo sobre Mateus 10, publicado pela bibliotecabiblica.blogspot.com com as devidas correções.

(*) Pastor

 

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Gomes Silva

* Jornalista, Especialista em Comunicação Educacional-UEPB e pastor da Comunidade Evangélica Pentecostal Expressão de Amor – CEPEA/PB, em Alagoa Grande,

falecom@fhc.com.br

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