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Campina Grande - PB

Jesus e os discípulos – III

19/03/2017 às 12:04

Fonte: Da Redação

* Por Gomes Silva

Encontramos em Mateus 10:5-8a o começo da comissão que recebem os mensageiros do Rei. A palavra que o texto original usa para descrever a ação de Jesus ao ordenar a seus apóstolos o que devem fazer é extremamente interessante e ilustrativa. Trata-se de parangélain, vocábulo que em grego possui pelo menos quatro usos diferentes.(1) É o termo que designa uma ordem militar: Jesus age como o general de um exército quando reparte as ordens a seus oficiais ao começar uma campanha.

(2) É a palavra que se usa quando se chama a seus amigos para que o ajudem. Jesus age como alguém animado por um grande ideal que chama a seus amigos para que o ajudem a fazer com que esse ideal se converta em realidade.

(3) É a palavra que se usa quando um filósofo ou mestre dá normas e preceitos a seus discípulos. Jesus age como o Mestre que envia os Seus discípulos ao mundo, equipados com Seu ensino e mensagem.

(4) É a palavra empregada normalmente para uma ordem imperial. Jesus age como um rei que envia seus embaixadores ao mundo inteiro, para executar suas ordens e falar em seu nome.

Esta passagem começa com uma recomendação que para todos deve parecer muito difícil. Começa proibindo os doze de ir aos gentios ou aos samaritanos. Muitos duvidam de que Jesus tenha dito isto; este aparente exclusivismo está totalmente em desacordo com seu caráter, e se sugeriu, que este dito deve atribuir-se à intromissão de quem posteriormente quis limitar o evangelho aos judeus, os mesmos que foram os acérrimos adversários de Paulo quando este quis levar a mensagem aos gentios. Mas é preciso lembrar certas coisas. Em primeiro lugar, era tão pouco provável que Jesus tivesse dito estas palavras que ninguém as teria inventado; Ele deve tê-las dito, e deve haver alguma explicação de seu significado. Podemos estar seguros de que não se tratava de uma ordem permanente. No mesmo evangelho vemos Jesus conversando íntima e meigamente com a mulher samaritana, a quem revela sua autêntica natureza (João 4:4-42); uma de suas imortais parábolas tem como protagonista precisamente a um samaritano (Lucas 10:30); cura a filha de uma mulher cananéia (Mateus 15:28); e o mesmo Mateus nos fala da ordem final do Mestre, quando manda os seus discípulos irem a todas as nações e trazê-las para o evangelho (Mat. 28:19, 20). Qual será, então, a explicação destas palavras?

Proíbe-se aos doze de irem para os gentios. Isto significa concretamente que não podiam ir para Síria, ao norte, nem para Decápolis, que ficava ao leste, nem para Samaria, ao sul. A conseqüência prática concreta desta ordem é limitar as primeiras viagens dos doze à região da Galiléia.
Há três boas razões para esta limitação inicial.

(1) Os judeus ocupavam um lugar muito especial nos planos de Deus. Com toda justiça, mereciam ser os primeiros em receber o oferecimento do Evangelh

o. É certo que o rechaçaram, mas toda a história obrigava a dar-lhes a primeira oportunidade.

(2) Os doze não estavam capacitados a pregar aos gentios. Não possuíam nem o pano de fundo, nem os conhecimentos, nem a técnica necessários para isso. Antes que o Evangelho pudesse chegar de maneira efetiva aos gentios, devia surgir entre os discípulos alguém com a formação e a vida de um Paulo. A mensagem tem poucas possibilidades de êxito se o mensageiro estiver mal equipado para transmiti-la. Se um pregador ou mestre é sábio, terá consciência de suas próprias limitações e saberá que coisas estão dentro e quais fora de sua possibilidade.

(3) Mas a mais importante das razões desta restrição é simplesmente esta – qualquer comandante sábio sabe que deve limitar seus objetivos. Deve escolher um ponto e direcionar a ele o ataque. Se diluir suas forças aqui e ali e mais à frente, dissipa sua potência de ataque e se arrisca ao fracasso. Quanto menores sejam suas forças, maior deverá ser a limitação de seus objetivos imediatos. Tentar o ataque sobre uma frente muito ampla seria, simplesmente, convidar ao fracasso. Jesus sabia disto, e seu objetivo era concentrar o primeiro movimento de sua campanha expansiva na região da Galiléia, porque esta, tal como o vimos, era a região da Palestina que mais aberta estava à recepção de um novo evangelho, uma nova mensagem (cf. comentário de Mat. 4:12-17).

Mas esta ordem de Jesus era transitiva. Atuou como o general sábio, que se nega a dissipar e dispersar suas forças. Com toda habilidade, concentrou o ataque em um objetivo limitado, a fim de obter, ao final da campanha, uma vitória total e universal.

Obs: Este texto foi extraído de estudo sobre Mateus 10, publicado pela bibliotecabiblica.blogspot.com com as devidas correções

(*) Pastor

Obs: Este texto foi extraído de estudo sobre Mateus 10, publicado pela bibliotecabiblica.blogspot.com com as devidas correções

(*) Pastor

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