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Campina Grande - PB

Jesus é a Vida

01/04/2017 às 16:25

Fonte: Da Redação

*Por Padre Assis

Completa-se neste V Domingo da Quaresma a simbologia batismal: a água, a luz e a vida. Com a catequese deste domingo, os catecúmenos atingem o ponto mais alto da sua instrução. Eles devem se conscientizar que o dia do seu Batismo é o dia em que recebem a vida que não acaba nunca, o dia da sua ressurreição.

O sinal que aparece na Palavra de Deus deste domingo é a Vida. Fica claro que, com Jesus, a morte não tem nenhuma força, já que Ele veio derrotá-la. A morte tem sido e será um grande enigma para a humanidade. A ciência, quando muito pode adiá-la, mas nunca poderá converter o ser humano em imortal.

Entre outras coisas porque, se assim fosse, perderia o sentido de viver. Por que e para que trabalhar, chorar ou sofrer, rir ou cantar, viajar ou descansar se vamos estar sempre aqui no mundo? Não seria um viver sem viver?

Portanto, também a nós, cristãos do século XXI, sujeitos a uma “cultura de morte”, deve nos servir de consolo as palavras do Senhor:

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, mesmo que morra viverá. E todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais.” (Jo 11,25)

O relato da ressurreição de Lázaro (cf. Jo 11,1-45) é uma catequese essencial sobre a fé na ressurreição. Devemos nos dar conta do simbolismo com o qual João provê a narração, em sua totalidade, para que não nos percamos e nos perguntemos, sem obter resposta, em que consistiu o milagre.

O que chamamos ressurreição de Lázaro, realmente não foi ressurreição em sentido teológico e bíblico, foi reanimação, ou revivescência de um corpo morto. Lázaro, depois desta primeira ressurreição voltou a viver materialmente, com o mesmo corpo físico que tinha, e posteriormente morreu fisicamente.

Em Jesus se trata de uma ressurreição, já que a ressurreição supõe a transformação total do ser corporal humano. Logo o milagre da revivescência de Lázaro é o símbolo da vida que Jesus adquire em sua ressurreição e que antecipa às pessoas que creem.

Fazia-se necessário que Jesus marchasse para sua própria morte para fazer-nos compreender que por trás da morte se encontra a vida definitiva de Deus.

Jesus já pode ir à morte, porque a morte física não é obstáculo para a vida eterna, não pode destruir o ser humano; que a cruz (onde vai morrer Jesus) vem a ser o começo da vida, pela ação verdadeiramente ressuscitadora de Deus.

A Ressurreição de Cristo é o triunfo definitivo sobre a morte, ao passar a uma Vida plena e eterna. É esta vida de Jesus que se comunicará a todos os que creem que se simboliza em todo o relato.

No relato da ressurreição de Lázaro, devemos estar bem atentos, não ao acontecimento em si, mas ao que João nos quer dizer ou ensinar. Desde o primeiro momento o autor do quarto evangelho não duvida em nenhum instante que Jesus devolveu a vida a seu amigo Lázaro; mas, como o interpreta e o que significa isso?

Não é tanto a ressurreição de Lázaro o que mais interessa, e sim o mistério da morte e da vida que tem sua fonte na pessoa de Jesus. Devemos ver este relato como um ensinamento sobre a morte e a ressurreição de Jesus que se prolonga no cristão.

Se nos fixarmos bem, João não quer relatar somente a tradição do fato da ressurreição de Lázaro, que ele relata em apenas dois versículos (vv. 43-44), mas aproveitar esta conjuntura para aprofundar o que Jesus significa para a fé cristã e mais concretamente ante o mistério da morte.

Lázaro é símbolo do ser humano e de toda a humanidade agoniado pela realidade de morte: drogas, guerras, violência, catástrofes naturais, aborto; e pela morte espiritual pelo pecado. Todos estamos feridos de morte. Quem nos tirará do túmulo?

Quem porá um fim a nossa vida mortal? Quem acabará com nossos lamentos? Quem será capaz de dar uma explicação a tantos porquês? Só Cristo, porque Ele é “a Ressurreição e a Vida” (cf. Jo 11,25). Ainda que estejamos mortos pelo peso de nossas culpas podemos sair e como Marta gritar: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que vem ao mundo.” (v. 27) E se creio, eu sei, não só que ressuscitarei, mas que estou ressuscitado.

O relato se nos apresenta, primeiramente, bastante humano, e por isso cheio de significações. Lázaro está enfermo. A doença e a morte entristecem a casa tão acolhedora de Lázaro e suas irmãs. Onde havia paz e alegria, há agora ansiedade e tristeza.

“Senhor, aquele que amas está doente” (v.3) é o recado que enviam as irmãs de Lázaro a Jesus, tão seguras estavam elas da amizade dele e Lázaro e o evangelista nos diz que: “Jesus amava Marta, sua irmã e Lázaro.” (v. 5).

Deseja-se que o que se ama dure sempre, que a pessoa amada não adoeça e não morra. Portanto, o amor é uma força vivificadora. Jesus fica sabendo que está enfermo seu amigo, mas não se move, atrasa-se. É que as pretensões de João eram mostrar como Deus considera a morte física. Se se quisesse mostrar somente o poder taumatúrgico, Jesus teria marchado logo em seguida para curar Lázaro.

Mas Jesus quer enfrentar-se com a morte tal como é, e tal como a consideram as pessoas: uma tragédia. Jesus faz o milagre para que as pessoas creiam. Não para provar seu poder divino, mas para que as pessoas creiam que há uma vida depois da morte. E para fazer entender que a morte sem esperança é uma morte que nasce do afastamento de Deus.

Ao contemplar a dor de Marta e Maria, Jesus vendo seus olhos vermelhos pelo pranto, se estremece interiormente, rompendo em um soluço incontido. É muito humano sentir dor ante a morte de um ente querido que amamos, derramar lágrimas pela perda irreparável do amigo. O mesmo que ocorre com Jesus nesta ocasião.

Mas ao mesmo tempo esses sentimentos, quando há fé, têm que dar lugar à esperança e à serenidade. Sim, nossa fé há de iluminar os espaços mais obscuros da alma, há de recordar-nos que atrás da morte está a Vida. Temos de pensar que a separação não é definitiva, mas provisória, porque a vida é transformada e não tirada.

Vemos também neste relato, como o evangelista joga com o simbolismo do crer e não crer em Jesus. As irmãs são as que confiam nele. Elas aceitam que devia haver ressurreição no final dos tempos. Mas, não entendiam o sentido. A resposta de Marta: “Sei, que (Lázaro) ressuscitará na ressurreição, no último dia!” (v. 24) É a mesma que pensavam os fariseus. Mas, com isto não se consegue dar à morte todo seu sentido.

Os que não creem não conseguem dar esperança às irmãs de Lázaro. Jesus lhes manifesta que a ressurreição vem dele: “Eu sou a ressurreição e a vida…” Ele afirma que Ele vence a morte e dá a vida eterna. Ele tem poder sobre a morte, esta não constitui nenhum limite para ele. Nele se faz presente o Deus conosco que tirando-nos da morte, nos faz entrar em sua vida imortal.

Como Marta, aprendamos, diante da dura realidade da incredulidade que acomete tantos homens e mulheres respondamos: “Sim, Senhor, eu creio firmemente que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo.”(v.27)

Somos mortais. Cada pessoa, desde o primeiro momento de sua existência, se encaminha para a morte. Ante a morte experimentamos um limite absoluto e uma total impotência. Podemos talvez atrasá-la, mas não evita-la.

E de nenhum modo podermos fazer que um morto retorne à vida. Jesus, pelo contrario, faz que a morte seja transitória e passageira como um sonho. Despertando-nos dela e nos dando a vida eterna.

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