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Campina Grande - PB

Jeitinho brasileiro

19/07/2016 às 7:52

Fonte: Da Redação

ailton_elisiarioPor Ailton Elisiário*

Ser ético no Brasil virou exceção. A falta de moral é o corriqueiro na vida nacional. Vivemos numa sociedade doente, onde a corrupção é encontrada em todas as camadas sociais. O jeitinho brasileiro ganhou mais espaço. Levar vantagem, saciar-se, querer mais, a medida do T não enche, são entre outras as expressões que mais se valorizaram.

A regra geral na sociedade é a inversão de valores. Troca-se o ser pelo ter, a obrigação pelo favor, o desempenho eficiente pelo jeitinho. Esses comportamentos repercutem em todos os níveis da atividade produtiva e segmentos sociais. O setor público é o mais visado.

A cultura do jeitinho tem sido alvo de reprovações constantes. Todavia, o jeitinho não pode ser confundido com tolerância à corrupção, como nos fala o sociólogo Alberto Carlos de Almeida no seu livro A Cabeça do Brasileiro. O jeitinho é a própria corrupção. Desse modo, quanto maior a transparência na atividade pública menor a possibilidade da corrupção. Quanto maior for a classe média no país maior a barreira contra a corrupção, posto que com uma multidão que respeita a lei haverá muito menos pessoas a punir.

Não se pode aceitar que um presente dado ao funcionário público seja visto como uma troca de favor, que uma bola dada ao guarda de trânsito seja tido como um reconhecimento pela sua compreensão de uma ação involuntária, que uma recompensa numa licitação seja tida como um agradecimento pela especial atenção despendida.e assim por diante. Pesquisa feita por aquele sociólogo revela, porém, que “o favor ainda é concebido pela população como algo legítimo na esfera pública”: 57% entre os analfabetos e 5% entre os de nível superior.

Esse jeitinho brasileiro tem contribuído para a construção de uma imagem negativa do país no exterior. A pesquisa apresentada naquele livro mostra que 17% da população brasileira aprovam o nepotismo nos cargos públicos e o jeitinho tem aprovação com índice de 30%. Impactante, porém, é a constatação que a escolaridade baixa é a causa principal dos problemas brasileiros.

Sem dúvidas, a educação é de fundamental importância para o desenvolvimento de um país e para a melhoria de vida da população. O jeitinho sempre foi prática predominante na história do país. Precisa-se, pois, mudar a mentalidade do povo brasileiro, educar a todos, permitir a todos a elevação dos níveis de escolaridade. Quanto mais se aumentar a escolaridade mais os valores melhorarão, e o jeitinho haverá de desaparecer da realidade brasileira.

(*) Professor, membro da ALCG

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