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Ir ao estádio pra quê?

Roberto Hugo. Publicado em 26 de janeiro de 2019 às 8:14

Trabalhei no dia a dia do futebol mais de 20 anos. Sempre ouvia dos colegas de profissão e dirigentes de clubes, de que não bastava ter um bom time em campo pra conquistar um campeonato e que precisava de outro melhor ainda fora dele.

Os rumores dos “arrumadinhos” sempre existiram no futebol paraibano, mas nunca comprovados. Lamir Mota, ex-dirigente do Campinense denunciou a FPF no passado. Carlos Gonzaga – empresário de futebol, também, mas nada afetou a rotina dos denunciados.

Agora vieram à tona graves denuncias contra dirigentes de clubes, com depoimentos de testemunhas, vídeos, tudo comprovado. Alguns acusados até já foram afastados, mas os clubes beneficiados não tiveram um pai nosso de penitencia.

Títulos foram conquistados de forma fraudulenta mas foram preservados. Classificações auferidas e mantidas. Ou seja, o crime no futebol da Paraíba compensa. Daqui pra frente é só substituir os dirigentes afastados por laranjas e tudo seguirá como antes. No futebol paraibano os balanços financeiros afrontam a receita federal há décadas. As arrecadações nos estádios são manipuladas. Impostos e taxas são subtraídos. Os empréstimos feitos por pessoas físicas aos clubes não são declarados. Atletas recebem um valor de salario e na carteira de trabalho está registrado um valor menor. Em resumo, quase tudo é mascarado dando margem a pratica de lavagem de dinheiro desenfreada.

Qual a pena imputada aos fraudadores envolvidos nessa onda de escândalos no futebol paraibano? Por enquanto nenhuma. Com o dinheiro auferido, eles contratam bons advogados, o processo rola por anos a afio – graças ao sistema pra lá de lento do nosso judiciário, e quando chegar o tempo do veredito final, normalmente as ações já prescreveram.

Como se todo esse escândalo não bastasse, a ajuda aos clubes via renuncia fiscal de empresas, o tal Gol de Placa, virou “farra de fantasmas”. Clube que não leva 100 torcedores as arquibancadas invadiam sites que liberam cadastros de pessoas físicas, e vinculavam milhares de nomes nos borderôs dos seus jogos, numa afronta deslavada ao dinheiro publico. Pouco importava se aquele cadastro era de alguém de Campina ou da Lua. Entretanto, até agora não houve nenhuma punição para tamanho descalabro.

O que tem de pior em nosso futebol já aconteceu e foi revelado. Dirigentes da Federação afastados por combinar decisões com representantes da justiça esportiva, árbitros afastados por receberem propina pra manipular resultados, torcedores fantasmas nos estados, quiçá gente que até já morreu poderão está nesses borderôs. Enfim, que futebol é esse.

Enquanto esses fatos não forem passados a limpo, ir aos estádios nesse momento, é um tiro no escuro. É dá aval a toda essa tragédia revelada. Mas, como diz o poeta, ” O CORAÇÃO NÃO ENTENDE O COMPASSO DO PENSAMENTO”.

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* Comentarista esportivo.

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