Fechar

logo
logo

Fechar

História das ideias religiosas no Brasil (II)

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 18 de novembro de 2021 às 13:00

Seguem algumas considerações adicionais àquelas apresentadas nesta coluna na semana passada sobre os capítulos I e II do livro “História das ideias religiosas no Brasil”, obra de autoria de João Camilo de Oliveira Torres, editada e publicada pela Câmara dos Deputados, em 2020.

No Capítulo III: “A face oculta do Cristo”, o leitor se depara com 7 subtítulos: “O povo em face do Senhor Bom Jesus”; “O messianismo”; “As confrarias”; “A situação dos escravos”; “O capítulo das procissões”; “Os ermitães”; e “O sebastianismo”.

“O povo em face do Senhor Bom Jesus” é o povo sofrido que olha para a imagem de Cristo crucificado e com Ele se identifica. Esse povo é aquele que habitam os desolados sertões brasileiros e que, dotado de uma fé viva, acredita que o Senhor Bom Jesus, sofredor, abandonado como eles, os libertará um dia.

“O messianismo” é um fenômeno impressionante na historiografia brasileira. Canudos, na Bahia, e Padre Cícero, no Ceará, são dois exemplos desse tipo de movimento que se originam em decorrência de fatores sociais (anomia), políticos e econômicos.

Segundo João Camilo de Oliveira Torres, “As confrarias” se estabeleceram no Brasil, no período da escravidão, apoiadas em três pilares de ações: econômico-social; psicológico; e cultural. Um exemplo citado por ele é a “Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos”, no contexto do sincretismo e da africanidade brasileira.

“A situação dos escravos” no Brasil é apresentada pelo autor à luz do Direito Romano. O fato é que, antes da abolição da escravatura, a posição da Igreja como órgão estatal impedia que ela se insurgisse contra as leis do país.

No subtítulo “O capítulo das procissões” a crítica é feita à religião católica no Brasil, nos seguintes termos: “toda religião tem sentido eminentemente prático, é uma vivência, não apenas um conjunto doutrinário”. Como nos tempos idos vedava-se ao católico brasileiro a vivência litúrgica, ele procurava realizar essa participação com atos paralitúrgicos, dentre eles procissões, festas de padroeiros e novenas.

Durante o período colonial, “Os ermitães” desempenharam um papel importante na divulgação do catolicismo nos rincões do Brasil. Esses ermitães eram conhecidos como “anacoretas”, “giróvagos”, “sarabaítas” e “cenobíticas”.

“O sebastianismo” tem a sua origem em Portugal, como a morte de D. Sebastião, o desejado, na malsucedida Batalha de Alcácer-Quibir, na África, em 1578. Como seu corpo não foi trazido para Portugal, criou-se o mito que ele um dia voltaria para redimir o seu povo, libertando-o do domínio espanhol.

No Brasil o mito do sebastianismo influenciou vários movimentos populares, sendo o mais famoso deles a Guerra de Canudos, conflito ocorrido no sertão baiano entre tropas do governo federal e um grupo de sertanejos liderados pelo líder religioso Antônio Conselheiro (Antônio Vicente Mendes Maciel).

No capítulo IV, intitulado “O sacerdócio e o império”, os temas abordados são variados, distribuídos em onze tópicos: “O drama religioso do século XIX”; “A crise entre a Igreja e o Estado no Brasil”; “Feijó, o jansenista”; “A grande batalha”; “D. Viçoso”; “Duas questões disputadas”; “D. Isabel, a católica”; “O rescaldo da crise: o Positivismo”; “Os liberais na era do Syllabus”; “Ultramontanismo no Brasil”; e “Fulgores do crepúsculo”.

Nesse capítulo foram apresentadas como suporte teórico as ideias filosóficas, sociológicas, políticas e econômicas de importantes filósofos e pensadores, dentre outros: Augusto Comte, Voltaire, Darwin, Rousseau, Marx, Ricardo, Malthus, Hegel, Antonio Vieira, Aristóteles, Kant, Cândido Mendes de Almeida e Tobias Barreto.

Na próxima semana, nesta coluna, para finalizar, darei sequência às considerações sobre a obra “História das ideias religiosas no Brasil”, partindo do Capítulo V: “A descoberta do valor teórico do catolicismo”.

Campina Grande, 18 de novembro de 2021.
[email protected]

Valorize o jornalismo profissional e compartilhe informação de qualidade!
Share this page to Telegram

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Mais colunas de Benedito Antonio Luciano
Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

[email protected]

Arquivo da Coluna

Arquivo 2018 Arquivo 2017 Arquivo 2016 Arquivo 2015

2018 - Paraiba Online - Todos os direitos reservados.

BeeCube