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Guerra lá e cá!…“Eu queria ser civilizado como os animais!” (II)

Mário Tourinho. Publicado em 26 de maio de 2022 às 12:04

A data corresponde a 24 de maio de 2022: o noticiário destaca a marca “Três meses de guerra da Rússia contra a Ucrânia”. E as imagens transmitidas mostram a destruição de cidades, anteriormente tão belas e muito visitadas, com um enfoque pior: a morte de milhares de pessoas, militares e civis, entre estas crianças e idosas!…

Na mesma data também são destaques no noticiário a operação da Polícia Militar do Rio de Janeiro, na Vila Cruzeiro, que resultou em 24 pessoas mortas, assim como a manchete de que “Atirador mata 26 e morre em escola infantil nos EUA”. No âmbito estadual (Paraíba) uma das manchetes enfatiza: “Pai é preso após matar filhas de 5 e 6 anos – crianças estavam em cárcere privado”.

Lembramo-nos, então, do que já escrevêramos um mês atrás, entendendo ser pertinente reproduzir o respectivo artigo, que, entre aspas, está a seguir:

– “Ao ligar o televisor, o canal em que já estava sintonizado noticia que mais uma cidade ucraniana encontra-se com seus (então belos) prédios totalmente destruídos. Pior: há bem mais gente morta!

Mudar de canal é (ou seria) a melhor opção para amenizar estes impactos advindos do noticiário. E assim é/foi feito.

No novo canal, exclusivo em telejornalismo, o destaque está sendo ´explosão e tiros no metrô de Nova Iorque´. Novamente parece pertinente a mudança de canal. Agora, um canal com programação local… programação daqui de João Pessoa/PB.

Qual o destaque que as imagens mostram neste novo canal?!…

– ´Padrasto confessa crime contra enteada de 12 anos e o corpo é retirado do fundo de cacimbão no bairro de Gramame´.

Não está neste texto qualquer restrição à atividade jornalística. Não! De forma alguma! É próprio ao jornalismo, profissionalmente competente, transmitir ao público a realidade… a verdade dos fatos. Portanto, sem ´fake news´! E, infelizmente, a realidade do mundo, com “guerras lá e cá”, guerras de todos os tipos que estão a intimidar até que saiamos de casa… e também causar medo “ficar em casa”, determina que o noticiário prevalecente seja este aqui referido.

Por óbvio esta realidade não é de agora. Não é só do hoje. Basta lembrar que nas escolas estudamos sobre as guerras… especialmente as mundiais mais próximas de nosso tempo, como a 1ª, de 1914/1918, e a 2ª, de 1939/1945. O que podemos estranhar é que as “guerras” agora se fazem presentes, entre nós, todos os dias… e com maior intensidade de tal maneira que logo nos vem à lembrança uma canção de 1976, da autoria de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, de título “O Progresso”, que já denunciava esse quadro tão horroroso.

Mas, nessa mesma canção há um trecho que melhor se encaixa a estes tempos de hoje como (novo) chamamento à racionalidade atribuída, indevidamente, só aos humanos. Diz assim:

– ´Eu não posso aceitar certas coisas que eu não entendo/ O comércio das armas de guerra da morte vivendo/ Eu queria falar de alegria ao invés de tristeza, mas não sou capaz/ Eu queria SER CIVILIZADO COMO OS ANIMAIS´.

São várias as residências em que presentes estão alguns animais. Não parecem irracionais como parecem ou efetivamente são muitos humanos. Recentemente aqui foi postado um nosso artigo sobre ´Pantanal e lembranças do Projeto Rondon´, em que está descrita uma nossa passagem pelo Pantanal Matogrossense, especialmente pelas cidades de Corumbá e Ladário. Tivemos oportunidade de ver, à beira dos rios, algumas ´feras´ que agora também nos lembram um outro trecho da canção aqui já referenciada:

– ´Eu poder afagar uma fera ferida/ Eu queria poder transformar tanta coisa impossível/ Eu queria dizer uma coisa que pudesse ficar bem comigo/ Eu queria poder abraçar meu maior inimigo´!

Reflitamos sobre a (ir)racionalidade humana, hoje, que nos fazem ficar ´putos´, por exemplo, com um tal de ´Putin´”.

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Mário Tourinho

Administrador, membro da Academia Paraibana de Ciência da Administração (APCA), ex-diretor institucional do Conselho Federal de Administração, ex-presidente do Conselho Regional de Administração, pós-graduado em planejamento operativo, diretor executivo do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de João Pessoa de 1993 a 2016.

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