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Golpe nos golpistas

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 10 de junho de 2018.

Só existe malandro porque existem otários. E como existe muita gente otária neste mundo é disto que se valem os golpistas para aplicar os seus golpes. Porém, quando o golpista encontra alguém mais esperto do que ele, é a vez de o tiro sair pela culatra e o golpista ser enganado.

Para ilustrar o que disse, vou relatar três tentativas de golpes nas quais a malandragem dos golpistas foi derrotada pela esperteza do meu amigo Zé Lacraia. Vamos aos casos:

Caso 1: De volta a Salvador, onde havia morado por algum tempo, Zé Lacraia estava ciceroneando um colega alagoano que não conhecia a cidade. Depois de mostrar alguns pontos turísticos na Cidade Alta, ele o conduziu à Cidade Baixa, utilizando o famoso Elevador Lacerda.

Em frente ao pátio que dá acesso ao Mercado Modelo, eles encontraram algumas ciganas, vestidas com suas tradicionais roupas coloridas. Receoso, o colega de Zé Lacraia não queria passar por elas e propôs mudarem o itinerário.

Entretanto, como já tinha um plano na cabeça, Zé Lacraia seguiu em frente e uma das ciganas se dirigiu a ele:

– Posso olhar a palma de sua mão?

– Pode sim, respondeu Zé Lacraia, se passando por ingênuo.

A cigana segurou a mão dele e começou a falar em uma língua desconhecida por ele. Depois, em bom português, ela disse:

– Ponha uma nota de dinheiro na palma de sua mão para que eu possa lhe dizer uma coisa muito importante para você.

Pressentindo o golpe, Zé Lacraia tirou da carteira uma nota de cem reais, bem novinha, que ele havia sacado em um caixa eletrônico, pôs na palma da mão, tomando o cuidado de ficar segurando a nota por uma de suas extremidades.

A cigana, percebendo a desconfiança da suposta vítima, disse a ele:

– Pode segurar! Não tenha medo, pois vou fazer uma oração para desmanchar um “trabalho” que fizeram para que você não funcione direito da cintura para baixo.

Nesse momento, rapidamente, Zé Lacraia puxou a nota e exclamou:

– Cigana mentirosa! Da cintura para baixo eu estou tirando faísca em pedra de gelo.

Caso 2: Estando em Porto Velho, onde mora atualmente, Zé Lacraia atendeu a uma chamada telefônica no telefone fixo. Do outro lado da linha, o interlocutor disse:

– Alô! Está reconhecendo a minha voz? Sou o teu primo. Estava planejando fazer-te uma visita de surpresa, mas o meu carro deu um problema a uns cinquenta quilômetros daí.

– Ah! Estou reconhecendo a tua voz, disse Zé Lacraia. É o meu primo Carlos Alberto?

– É ele, sim! Disse o golpista.

– Então, assim que você resolver esse problema com o carro venha e vamos nos encontrar num Centro Espírita, pois você morreu há dez anos, disse Zé Lacraia.

E o golpista desligou o telefone.

Caso 3: Outro golpista telefonou para Zé Lacraia e pôs na linha uma pessoa chorando desesperada, pedindo para não ser morto. Em seguida, disse:

– Estamos com o teu filho e se você não depositar a quantia de dez mil reais na conta corrente que vou lhe fornecer, nós vamos matá-lo.

Zé Lacraia, que nunca foi casado e nem tem filho, disse ao golpista:

– Pode matar! Pois esse filho, depois que entrou para o mundo do crime, só tem me causado problemas. Eu estava até pensando em contratar um pistoleiro para dar cabo dele, mas como vocês vão fazer isso de graça para mim, só me resta agradecer. Muito obrigado.

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

falecom@fhc.com.br

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