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Gisa Veiga: Malafaia, largue o púlpito e adote o palanque

Gisa Veiga. Publicado em 4 de julho de 2020 às 12:32

A mistura explosiva de religião com política tem provocado distorções inimagináveis dentro das igrejas e nos discursos evangélicos.

Quando lideranças religiosas esquecem suas pregações genuínas e aderem ao discurso do ódio, com xingamentos e baixarias à diversidade de opiniões políticas, é um grave sinal de que algo de muito tenebroso ronda essas lideranças amantes dos holofotes e muitos de seus incautos liderados ou admiradores.

A ideia de que os evangélicos se aglomeram como gado, com voz uníssona em favor de uma ideologia ou corrente política, é absurda. A expressão “rebanho do Senhor” tem um sentido bem diverso do que pensam certas lideranças religiosas (ou seriam meramente políticas?).

Eu sou evangélica, batizada na Primeira Igreja Batista e atualmente frequentando a Igreja do Nazareno. Penso diferente da maioria de seus frequentadores. E, assim como eu, outros também pensam diferente. O respeito a essas diferenças é uma das características da democracia que seus falsos defensores insistem em ignorar.

O discurso do ódio do pastor Silas Malafaia, com agressões vis a senadores, inclusive paraibanos, que votaram a favor da legislação que combate as fake news, tem causado espécie naqueles membros de igrejas que se distanciam do tipo de política que mancha o Brasil – aqui e no exterior. É a política baseada na mentira, em notícias que maquiavelicamente falseiam a verdade, a política da violência física e verbal e do desprezo a quem pensa diferente.

Os defensores dessa política nefasta, que tem em sua defesa Silas Malafaia como um dos principais expoentes, confundem fake news com notícias jornalísticas; calúnia e difamação – que são crimes – com liberdade de expressão; combate a mentiras cavilosas com censura.

Na verdade, Silas é bem crescidinho e sabe distinguir as coisas, o que é muito mais grave. Ele, que chamou nossos senadores de “cambada de otários”, acha que esse discurso do ódio e a pregação da mentira hão de prevalecer sobre o jornalismo investigativo, a política decente, sobre a diversidade legítima de opiniões.

Faz crítica especial à senadora Daniela Ribeiro e outros senadores evangélicos por não se comportarem como gado – o seu gado.

Seu linguajar rasteiro e carregado de ódio é desprezível. Principalmente pela exposição na mídia que ele tem. Usa mal sua fama, sua verborragia, sua liderança. Tem plena convicção de que Deus é cabo eleitoral de Bolsonaro. Se isso não é má-fé, é caso para tratamento médico.

Não, Malafaia, os senadores paraibanos não são uma “cambada de otários” e estão de parabéns pelo gesto em defesa da democracia e da verdade dos fatos. Eles não são “esquerdopatas”, como o senhor falou –segundo o próprio criador da expressão, Reinaldo Azevedo, não se trata de esquerdistas, de modo geral, mas daqueles que se transformaram em políticos indecentes dentro da esquerda.

Nossos senadores são políticos que pensaram por si próprios, que investigaram exaustivamente a matéria e decidiram de acordo com suas próprias consciências.

Seria mais honesto de sua parte largar o púlpito e adotar o palanque.

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Gisa Veiga

Gisa Veiga é jornalista profissional (formada pela UFPB) e advogada (formada pelo Unipê), com experiência em jornalismo impresso, internet, televisão e assessoria de imprensa. Atualmente trabalha como assessora de imprensa na Assembleia Legislativa e apresentadora do programa Sobretudo, da TV Master.

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