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Filosofia Positivista

Ailton Elisiário. Publicado em 16 de janeiro de 2018 às 8:34

Por Ailton Elisiário (*)

A data de 19 de janeiro registra o nascimento do filósofo Auguste Comte. Foi na França, em Montpellier, no longínquo ano de 1798, fazendo, portanto, agora 220 anos de seu nascimento. Comte faleceu em 5 de setembro de 1857, em Paris.

Comte entrou para a História da Filosofia por sua criação da Filosofia Positivista, publicando a partir de 1830 o Curso de Filosofia Positiva. Em 1842 publicou Discurso sobre o Espírito Positivo, em 1851 o Sistema de Política Positiva ou Tratado de Sociologia Instituindo a Religião da Humanidade e em 1852, o Catecismo Positivista ou Exposição Sumária da Religião Universal.

Como fundador da Religião Positivista, considerava o filósofo Condorcet (1743-1794) seu predecessor imediato que, com sua obra Esboço de um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano, afirmava que diante dos descobrimentos e invenções da ciência e da tecnologia, o homem caminharia para uma era em que a organização social e política seria produto das luzes da razão.

O núcleo da filosofia comtiana está na ideia de que a sociedade só pode ser reorganizada mediante uma completa reforma intelectual do homem. Seu sistema era estruturado numa filosofia da História, numa classificação das ciências baseadas na filosofia positiva e numa sociologia que permitisse a reforma das instituições.

Comte sintetizava a parte da filosofia da História na lei dos três estados, pela qual o espírito humano se desenvolve através de três fases, a teológica, a metafísica e a positiva. A fase teológica passa por três períodos: a do fetichismo, do politeísmo e do monoteísmo. Na sua perspectiva, a fase monoteísta é uma etapa de transição para o estado metafísico, que destruindo a ideia teológica de subordinação da natureza e do homem ao sobrenatural, será dissolvida pelo estado positivo.

As ciências seriam classificadas pela complexidade de objeto, partindo das mais simples para as mais complexas. A ciência por excelência, todavia, é a sociologia, vista por Comte como “o fim essencial de toda a filosofia positiva”. A sociologia conduziria à política e desse modo, a filosofia positivista se tornaria um instrumento para a reforma intelectual do homem e por consequência, da reorganização da sociedade.

Para Comte a Revolução Francesa destruiu as instituições da época, mas não estabeleceu novos fundamentos para uma nova ordem social. Enquanto aquelas instituições eram teológicas, os pressupostos da Revolução eram metafísicos e, por isto, impunha-se o espírito positivo na estruturação da nova sociedade.

Para tanto, seria necessária uma nova elite científico-industrial. Desse modo, pelo estado positivo o poder espiritual passaria às mãos dos sábios e cientistas e o poder material ao controle dos industriais. Então, a filosofia positiva seria o fundamento intelectual da fraternidade entre os homens.

Os anseios de reforma intelectual e social de Comte levaram à instauração de uma religião positivista, com seu calendário e dias santos, cujas figuras eram nomes da história do pensamento e as celebrações eram das obras dos filósofos, tendo como ponto central a substituição de Deus pela Humanidade.

Essa religião encontrou solo fértil nos países menos desenvolvidos, manifestando-se no Brasil nos idos de 1850, vindo a ser fundada em 1876 a Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, que deu origem à Igreja Positivista do Brasil, que se tornou um centro de abolicionistas e republicanos. Os fundadores do Positivismo no Brasil foram Raimundo Teixeira Mendes e Miguel Lemos.

Os positivistas tiveram influência na formação da Constituição de 1891 e foram os responsáveis pela inclusão na bandeira nacional do lema “Ordem e Progresso”, retirado da fórmula sagrada do positivismo assim redigida por Auguste Comte: “O Amor por princípio, a Ordem por base e o Progresso por fim”.

No Século XIX as ideias de Comte eram atraentes para a juventude brasileira que se opunha à elite dominante, representada pelos bacharéis das faculdades de Direito, tendo hoje, porém, o Positivismo perdido muito de sua influência.

(*) Professor, membro da ALCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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