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Feliciano Amaral – ícone da hinografia evangélica brasileira

José Mário. Publicado em 1 de setembro de 2016 às 8:13

jose-marioPor José Mário da Silva*

Para Doutor Ênio, na fraternidade do amor cristão.

Redijo este depoimento afetivo sobre o sacro cantor cristão Feliciano Amaral, ícone da hinografia evangélica brasileira, movido por dois pressupostos fundamentais, ambos chancelados pelas Escrituras Sagradas, suficiente e especial Revelação que o Deus todo-poderoso, Criador dos céus e da terra e de tudo sustentador absoluto, fez de Si mesmo, com o gracioso desiderato de se dar a conhecer aos homens como Ele efetivamente é; e não como os seres humanos poderiam, especulativa e pecaminosamente, imaginá-lo, o que lamentavelmente tem sido feito ao longo dos tempos, fazendo com que os homens confluam para o abominável território da idolatria.

Os pressupostos são os seguintes: o primeiro é que somente Deus é digno de toda honra, glória e louvor, porque é somente dEle que procede tudo o que somos e o que temos; Ele é a suprema e indesviável fonte de que carecemos para experimentarmos o real sentido da vida e o verdadeiro conceito do que é felicidade, o permanentemente perseguido anelo dos homens. O segundo, igualmente bíblico, é o que afirma que “o homem é provado pelo elogio que recebe” (Provérbios 17.21).

O ponto aqui radica no fato de que o elogio em si mesmo não é problemático, antes é um reconhecimento que fazemos a alguém por um trabalho realizado, pela maneira eficaz com que uma dada atividade é executada. O problema diz respeito ao modo como recepcionamos os elogios que nos são endereçados, na medida em que tanto podemos acolher um elogio com humildade, procurando tributar ao Senhor todos os louvores devidos, como podemos nos encher de orgulho, supondo que é em nós que reside a força, a inteligência e a capacidade de realizarmos as coisas que têm feito parte da nossa existência.

Um clássico exemplo do que estamos argumentando é o do rei Uzias, que liderou o povo hebreu por um alentado período de tempo. Os cronistas do Antigo Testamento não são nem um pouco parcimoniosos nos elogios encaminhados a Uzias, antes a ele se referem como tendo sido um dos mais operosos monarcas da história do povo de Israel, aquele que deixou em todos os recantos da vida político-administrativa do país, as indeléveis marcas da sua competente liderança. A ruína de Uzias começou no exato instante em que ele deixou que a vaidade e o orgulho passassem a dominar o seu coração. Em última análise, o problema não está no elogio, mas no coração humano, que, de acordo com o inspirado diagnóstico do profeta Jeremias, “é enganoso, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).

Olhando para os dois pressupostos aludidos anteriormente é que escrevo o presente texto, que tem como finalidade primordial glorificar a Deus por Ele ter concedido ao protestantismo brasileiro um intérprete musical da estirpe de Feliciano Amaral, que, ao longo de mais de sessenta anos, vem enlevando a alma de quem encontra em sua diversificada e fecunda hinografia, a expressão de um louvor a Deus genuíno e, sobretudo, rigorosamente bíblico, harmonizado com a Palavra de Deus e compatibilizado com os majestosos atributos do Senhor.

Noutras palavras, Feliciano Amaral, a exemplo do que ocorreu com outros cantores sacros de igual envergadura, não se vendeu aos sedutores e mercadológicos apelos de certa música evangélica gospel atual, que é melodicamente paupérrima e, pior que isso, biblicamente insustentável, mas que, valendo-se da fragilidade doutrinária de muitos cristãos, vende absurdamente, transformando-se com uma facilidade enorme, de uma hora para outra, em verdadeiras montanhas de dinheiro, pródigas em abarrotar as contas bancárias daqueles para quem “servir a Deus” é um grande “negócio”.

A hinografia cantada por Feliciano Amaral foca nas grandes metanarrativas das Escrituras Sagradas: a criação, a queda, a redenção e a restauração final de todas as coisas. Passei a minha infância ouvindo Feliciano Amaral através dos discos que o meu inesquecível pai, João Francisco da Silva, comprava e colocava na velha radiola que havia em nossa casa para o nosso regalo espiritual.

Melodiosa e portadora de um singular senso de afinação, a voz de Feliciano Amaral cantando, nos contava, hino após hino, a gloriosa história do grande amor de Deus, amor que, dramaticamente provado na cruz do calvário, manifestou-se na sacrificial entrega de Jesus Cristo, que decidiu morrer, a fim de que pudéssemos ser salvos dos nossos pecados e herdar o precioso dom da vida eterna.

Além da infrangível fidelidade bíblica que tem norteado o longevo e abençoado ministério do Pastor e cantor sacro, Feliciano Amaral encanta pela simplicidade do seu modo de ser. Numa época em que o mundanismo tem conferido régua e compasso em muitos arraiais ditos cristãos, nos quais líderes se têm apartado da simplicidade e modéstia inerentes a Jesus Cristo; e, em direção contrária, assumido a postura de arrogantes celebridades, Feliciano Amaral tem mantido uma posição de humildade, na certeza de que o alvo indesviável do crente é viver para o inteiro louvor e glorificação do nome do Senhor.

Em mais de seis décadas louvando ao Senhor e dispondo de um público cativo, sempre pródigo em adquirir os seus trabalhos musicais, Feliciano Amaral não enriqueceu, não fez do imenso talento que Deus lhe deu uma fonte de lucro e um meio de aquisição de um opulento patrimônio. Ao contrário, de acordo com sereno e sincero depoimento que prestou, chegou mesmo a ser lesado financeiramente por quem, fingindo-se uma dócil ovelha, era, na verdade, um lobo voraz e destruidor. Diante desse triste episódio de traição, o comportamento de Feliciano Amaral foi admirável e comovente. Suas palavras dizem tudo: “aquele que me subtraiu do que me pertencia, fique com o dinheiro, que eu fico com as almas que Deus me tem dado através do ministério de pregação do evangelho e de louvor ao Senhor nosso Deus”. Rara e tocante lição de correção moral e, sobretudo, de um caráter cristão que frutifica no Espírito Santo, resultado, indisfarçável, da regeneradora obra que o Senhor realiza no coração de todo aquele que crê em Jesus Cristo e, nEle, deposita irrestrita confiança no que tange à salvação eterna.

Enfim, intentei, aqui, esboçar um depoimento afetivo a respeito do Pastor Feliciano Amaral, admirável cantor cristão, verdadeiro ícone da hinografia evangélica brasileira. Que o Senhor Deus continue a assistir com a sua bondade e graça o amado irmão em Cristo Jesus, Feliciano Amaral.

(*) Docente da UFCG, ensaísta, membro da Academia Paraibana de Letras

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José Mário

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