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Fazer o bem, melhor remédio

Dom Delson. Publicado em 28 de janeiro de 2019 às 11:03

Muito sabemos da existência de sociedades que cultuam a cultura da vingança velada. Para muitos, faz mais sentido pagar o mal com o mal, como se esta prática fosse aliviar o sofrimento causado por alguém. As páginas do Evangelho de Jesus nos ensinam que o mal deve ser combatido com o esforço da caridade: “Não resistais ao homem mau; antes, àquele que te fere na face direita oferece-lhe também a esquerda” (Mt 5,39). Nossa profissão de fé não deve caminhar para o rumo contrário do caminho da bondade. Os cristãos devem assumir o compromisso de realizar o bem em tudo, permanecendo sempre próximos dos homens, nas suas alegrias e nos momentos sombrios da existência humana.

A cultura da bondade deve nos educar a colocar Deus como medida de tudo, não podemos ter a nós mesmos como metro de medida, agindo como se fôssemos o senhor das coisas. Agimos com bondade porque Deus mesmo fez-Se constante bondade. Ser bom não é somente fruto de nossos esforços, mas somos praticantes da bondade porque antes de tudo nos veio a graça de Deus. Ela opera em nós e não devemos desconsiderá-la.

O mal que ronda nossa alma desenvolveu-se na história como um rio sujo, que envenena a geografia da história dos homens. Este fato nos coloca diante de profundas contradições, mas também aponta para o desejo de redenção que é mais forte que o diabo. A pessoa humana sempre carrega o desejo de fazer o bem; na política, todos apoiam-se no discurso de mudar as estruturas, mesmo quando vemos muitos afundando o país num mar de corrupção estruturante.  O mistério da iniquidade continua misterioso, ele não se explica pela lógica, só Deus e o bem são lógicos, são luz. Mas cabe-nos, com o exemplo de bons cristãos, continuar a acreditar que podemos construir um mundo marcado pela justiça e paz. Não podemos ser arautos da reclamação enfadonha, de achar que nada vai mudar. O melhor remédio para a maldade que nos rodeia é a bondade gratuita. “Cristo crucificado e ressuscitado, novo Adão, opõe ao rio sujo do mal um rio de luz. E este rio está presente na história: vemos os santos, os grandes santos, mas também os santos humildes, os simples fiéis. Vemos que o rio de luz que procede de Cristo está presente, é forte”(Papa Emérito Bento XVI). Permitamo-nos envolver concretamente pelo remédio da bondade, para que sejamos como luzeiros em espaços sombrios que estão viciados pelo ranço da vingança.

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