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Campina Grande - PB

Fazer carreira, sem levar carreira!

04/09/2016 às 21:38

Fonte: Da Redação

patricia-alves

Como está indo na escola, está tirando boas notas?

O que você vai ser quando você crescer?

Se não estudar não vai ser ninguém na vida, sabia?

Qual curso você vai fazer?

Em que faculdade?

E isso vai dar dinheiro?

Tá estagiando?

Terminou o TCC?

Foi contratado?

Vai fazer pós?

Abriu a seleção do mestrado, vai se inscrever?

Você ainda faz a mesma coisa, você não cansa? Precisa crescer!

Olhe, você precisa pensar no futuro, o tempo passa rápido!!!!!

Uffa, acho que estou na crise da meia idade! Bem, acho não! Eu estou simmmm, e daí? Acho que tá mais que na hora de me libertar – e você também – de tantas cobranças, de tantas pressões e regras sociais para ser feliz e se realizar na vida profissional – até, independente da sua idade.

Escrevendo, dei uma mega risada, lembrando que essa semana um amigo, mega inteligente, ultra sensato, perguntou-me se ser feliz profissionalmente era realmente possível, ou era Pasárgada, tipo passar no concurso mais desejado do Brasil, a Mega Sena (óbvio), sem fazer nenhuma aposta.

Discutimos, debatemos acaloradamente, parecia até a votação do impeachment (só que mais democrático) e chegamos ao veredito mais óbvio do mundo, que é???? Que quando estamos fazendo algo que não acreditamos – affe – o emprego vira trabalho e fica toneladas mais pesado!

Daí minha vontade de escrever essa coluna. Pois afinal, já faz um tempinho que coloquei meu bloquinho debaixo do braço e fui cuidar em escrever para ganhar o pão e garantir o leite do menino.

Aí, quero falar, primeiramente de uma amiga, que tá desempregada. Ela, formada em Relações Públicas, trabalhava em uma das mais importantes distribuidoras de medicamentos do país, chegou ao nível mais alto da carreira (na empresa), e quando chegou lá – depois de muito estudo e esforço – saiu! O próprio dono desta indústria disse que se esforçaria para recolocá-la no mercado e sabe o que ela disse: NÃO! Agora eu vou seguir os meus sonhos.

Foi tipo aquela fábula, alguém empurrou a vaquinha dela no precipício e ele tomou coragem e viu que não poderia viver apenas do leite (trabalhando 12 horas, praticamente 7 dias por semana), poderia cultivar, criar outros animais e ter opções para ser feliz. Né que a danada conseguiu, recusou propostas de novos empregos, deu um passo atrás – para muitos – e agora tá lindamente fazendo cursinho. Isso mesmo, a garota das relações públicas que arrasava no RH e na promoção da empresa, agora é aspirante a médica. Ela se reinventou, dá pra tu?

A outra amiga, sempre muito atenta, montou uma loja. Fez as contas, não rendeu, fechou e voltou para profissão a qual escolheu ainda no 2º grau. Ela foi aplicar, na prática, o conjunto de métodos que asseguram a adaptação recíproca do conteúdo informativo aos indivíduos que se deseja formar. Menina, ela foi ser pedagoga, com muito orgulho, com muito amor. Afinal, ninguém se perde no caminho de volta. Achei lindo, quando ela contou orgulhosa da nova/velha decisão.

Caramba, eu tenho um amigo que já deixou de ser um missionário religioso e hoje é um diretor de desenvolvimento econômico, todo focado, fazendo MBA, cheio de planos, de sonhos e de força de vontade. Conversar com ele é um prazer, um aprendizado, além de inspiração.

Eu, ah! Tô aprendendo com eles, tenho muito o que caminhar, mas sei que não posso deixar a vida me levar. Tenho que escolher meu caminho profissional, sabendo eu que nunca será retilíneo, mas certa de que “quem não arrisca, não petiscará jamais”!

Por falar em aprendizado, escutei essa semana de um empresário que sou fã: “Ou calça de linho ou bunda de fora”. Tô nessa vibe! Não dá para acordar todo o dia, ir pro trabalho, como se fosse para sentença de morte. Sai pra lá!!!!!

Não vou dar nenhum conselho, porque você sabe: conselho não se dá, conselho se vende – deve ser por isso que tem tanto coaching por aí – mas vou contar o que estou fazendo na prática, porque eu tenho certeza de uma coisa, não quero ser plateia, quero ser autora da minha vida. Pegando uma carona em Frida Kahlo, no “onde não puderes amar, não te demore”, parafraseio e digo: “No trabalho que eu não puder ter um crescimento, e ser feliz, não me demoro”.

Assim, comemoremos os erros que cometemos e que vamos cometer, aos empregos que pleiteáramos e pedirmos demissão – ou seremos demitidos – ou até mesmo às sociedades fracassadas e novos planos de parcerias vindouras. O que temos que ter em mente é – jurar solenemente – que vamos continuar percorrendo nossa vida profissional em busca de uma carreira e não levando carreira, se é que me entendes?

E na onda de sermos positivos, vamos cantar: EU QUERO É SER FELIZ E MAIS NADA!

*Patrícia Alves

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