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Campina Grande - PB

Farinha do mesmo saco

17/04/2017 às 10:08

Fonte: Da Redação

Por Ailton Elisiário (*)

Eu ainda era criança quando ouvia meu pai dizer estas expressões: “todo político calça 40” e é “farinha do mesmo saco”. Ele sempre se referia aos políticos quando se utilizava destes ditados. Não sem propósitos aquelas falas do meu pai, pois em sua sabedoria de homem simples ele apenas atestava o comportamento danoso dos representantes do povo na vida pública do nosso país.

Hoje, já não mais criança, constato a realidade de suas percepções. De fato, os escândalos que a imprensa divulga relacionados com a corrupção no Brasil são deveras impensáveis e inacreditáveis, tamanha a dimensão desmedida em valores monetários desviados e a atitude cínica e desavergonhada de seus autores.

A Operação Lava Jato vinha expondo às escâncaras a quadrilha que assaltava as finanças públicas na pele dos componentes do Partido dos Trabalhadores (PT), partido que se dizia defensor do pobre e do pobre povo. Agora, ela devassa a representação da elite e descobre que não é diferente, atuando os componentes do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do Partido Social Democrático do Brasil (PSDB) e outros, todos mancomunados nos mesmos objetivos: ganhar eleições, manter o poder, sustentar o tráfico de influência e enriquecer ilicitamente.

Este tipo de comportamento comum explica o “todo político calça 40”, pois o modo de agir é o mesmo. A promessa eleitoral que não cumpre, a negociata para a aprovação de projetos contrários aos interesses populares, a propina instituída às escondidas e tantos outros descaminhos. A pertença aos diversos partidos não os torna diferentes, pois nem professam a ideologia partidária que serve apenas para constar dos seus estatutos, o que explica a “farinha do mesmo saco”.

Se a classe política já não era tão bem vista à época dos falares do meu pai, atualmente ela caiu em total descrédito, pois não escapa sequer um deles, quer sejam deputados federais ou senadores, deputados estaduais ou vereadores, governadores ou presidente, em que se possam confiar sinceramente. Estão todos lá porque é preciso que os cargos públicos sejam ocupados, mas desacreditados por seus eleitores, que não encontram pessoas honestas e comprometidas com a paz e a justiça social para colocarem em suas mãos os destinos da nação.

Algo, porém, é certo e bom. A podridão começa a aparecer apontando a necessidade de que os dejetos necessitam ser despejados. A limpeza se faz imprescindível, para que a nação possa respirar naturalmente livre. As futuras gerações não podem ser herdeiras de uma cultura sedimentada no roubo e na corrupção institucionalizados. É preciso mesmo que façamos valer as estrofes do nosso hino nacional, de que nossos bosques tenham mais vida e em seu seio mais amores, a fim de que nossos descendentes possam viver em solo esplêndido e em comunhão com a justiça e a solidariedade humana.

(*) Professor

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