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Fábio Agra: Um marco histórico para o semiárido paraibano: A chegada do umbu gigante

Fábio Agra de Medeiros. Publicado em 30 de janeiro de 2021 às 16:25

Paraíba Online • Fábio Agra: Um marco histórico para o semiárido paraibano: A chegada do umbu gigante

Foto: Ascom

Sem dúvidas a planta mais festejada e comentada no semiárido nordestino é o Umbuzeiro. Planta saudada por Euclides da Cunha como a “árvore sagrada do sertão” e imortalizada numa música de Luiz Gonzaga, “umbuzeiro velho”. Seu nome científico é Spondias tuberosa e também é chamado de imbuzeiro, cuja palavra de origem no tupi-guarani é ”ymbu”, que significa “árvore que dá de beber, em referência as suas estruturas radiculares com seus xilopódios ou batatas de armazenamento de água, que ajudam na sobrevivência da planta nos longos períodos de estiagem na Caatinga. Seu fruto é o umbu ou imbu quem tem propriedades de azedo a doce, ricos em vitamina C, minerais e diversos produtos podem ser elaborados como: geleias, umbuzada, doces, pudins, cervejas, polpas e sucos. Suas folhas e frutos também alimentam o rebanho e suas flores fornecem néctar para as abelhas.

Após árduo trabalho que durou décadas, com muitas viagens realizadas entre o norte de Minas Gerais e o Rio Grande do Norte, a Embrapa registrou em 2019, no Ministério da Agricultura, as primeiras cultivares de umbuzeiro no país, são elas: BRS 48 (América Dourada-BA), BRS 52 (Parnamirim-PE), BRS 55 (Lagoa Grande-PE) e BRS 68 (Lontra-MG), todas com produtividade acima da média. As quatro cultivares se destacam pelo tamanho dos frutos e em relação aos pesos médios dos umbus mais comuns, que são entre 20g e 30g. As BRS 48 e 68 registram pesos médios entre 85g e 96g, e é comum ter frutos em alguns locais, com mais de 120g. E foram exatamente essas cultivares que chegaram a Paraíba na última sexta feira, vindas do município de Vitória da Conquista no estado da Bahia. 

Um trabalho coletivo de técnicos da EMPAER, INSA, UEPB, UFPB, UFCG, IFPB e de algumas prefeituras, coordenado pelo Engenheiro Agrônomo Ewerton Bronzeado, com apoio do Professor Geraldo Baracuhy. Eu estava a frente da Secretaria de Agricultura de Campina Grande, no ano de 2017, quando realizamos o primeiro seminário do Umbu na Paraíba. Vimos produtos, palestras, apresentações dos produtores e empreendedores do sudoeste da Bahia e de alguns técnicos. Traçamos diretrizes, duas viagens e muitas reuniões foram realizadas, muitos contatos, organização do grupo e muitas tentativas vãs de apoio governamental para implantação de pomares, aquisição e distribuição de mudas também foram realizadas.

Decidimos então, organizar a primeira relação de produtores e técnicos interessados em comprar as mudas e 1200 foram adquiridas a um produtor de credibilidade conhecida, e após percorrer mais de 1500 km, as nossas plantas chegam para grande alegria de todos os envolvidos. Aproximadamente 800 ficaram na Paraíba e as outras foram para os produtores do Rio Grande do Norte e Alagoas. O maior produtor, para orgulho nosso do Campus II da UEPB, será nosso ex-aluno, Alisson Renan, que vai plantar 200 mudas no município de Olivedos no cariri paraibano. Foi um coroamento e um prêmio do dever cumprido por homens e mulheres que sabem da importância desse processo para o futuro do desenvolvimento sustentável do semiárido nordestino. Muito mais virá…

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Fábio Agra de Medeiros

Professor Doutor da Universidade Estadual da Paraíba.

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