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Fábio Agra de Medeiros: Turismo rural como ferramenta de conscientização ambiental

Fábio Agra de Medeiros. Publicado em 7 de outubro de 2019 às 18:27

As pesquisas indicam que no município de Lages-SC, no ano de 1986, foi realizada a primeira visita a uma propriedade rural com fins turísticos. Tomando como base documento oficial do Ministério do Turismo de 2010 e nas experiências recentes, é visível e crescente uma mudança no meio rural, com a participação direta da comunidade urbana.

A sociedade vem descobrindo a importância ambiental e o valor estratégico de manutenção da paisagem rural, e passa a tratar rios, fauna e flora como elementos essenciais para o ser humano.

Este contexto tem propiciado a revalorização do modo de vida e o surgimento de novas funções econômicas, sociais e ambientais para o espaço rural, permitindo ao agricultor novas maneiras de garantir sua permanência no campo.

Aos poucos, o agricultor vem deixando de ser somente um produtor de matéria-prima e descobre a possibilidade de desenvolvimento de atividades não agrícolas, como é o caso do turismo.

Sob essa perspectiva, se assiste ao crescimento da atividade turística no meio rural devido especialmente ao caráter transversal, dinâmico e global do turismo, capaz de impactar as várias dimensões que afetam os processos de desenvolvimento de setores, atividades e territórios.

Hoje, é relevante o número de propriedades rurais que incorporam atividades turísticas em suas rotinas. Afinal, cada vez mais, os turistas estão em busca de lugares onde a paisagem apresente características naturais e culturais próprias e onde os residentes possuam um estilo de vida diferente daquele dos visitantes.

O espaço rural comumente associado pela população urbana à qualidade de vida representa para o turista uma oportunidade de contato com paisagens, experiências e modos de vida distintos dos encontrados nos centros urbanos.

A atividade do turismo rural se entrelaça a várias outras como: hospedagem, alimentação, agências e operadoras, transporte, recreação, entretenimento e atividades pedagógicas.

Além disso, o Agroturismo proporciona ao turista interagir com as atividades de uma propriedade rural, como: produção de uva e vinícolas, leite e derivados, fruticultura e polpas, hortas orgânicas, pescarias e cozido de peixe.

Esse movimento vem colaborando para a valorização das famílias agricultoras, do patrimônio histórico e cultural, das raízes familiares e da saúde coletiva, pois é um importante componente de tratamento de algumas doenças, principalmente psíquicas.

Por tudo isso, podemos afirmar que é possível incorporar essa atividade como uma importante ferramenta de conscientização e sensibilização ambiental, já que envolve um série de profissionais, de órgãos e entidades da sociedade civil e principalmente a população local.

Três exemplos demonstram claramente o sucesso da sustentabilidade ambiental através do turismo rural: Gramado-RS, Bonito-MS e Areia-PB.

São municípios que estão cada vez mais buscando atrair pessoas através das suas belezas naturais, culinária local, patrimônio histórico e cultural e como isso, modificando positivamente a ocupação da mão de obra e todos os envolvidos já incorporaram os conceitos da sustentabilidade, contribuindo para um país com mais qualidade de vida, desenvolvimento social e econômico.

Podemos destacar como bases para o desenvolvimento do turismo rural no Brasil as seguintes ações:

1. Identificação e análises dos recursos: história, paisagens, produção, culinária, curiosidades locais, etc;

2. Estabelecimentos de parcerias e formação de rede: agências de turismo, hotéis, pousadas, academias, grupos praticantes de esportes de aventura, influenciadores digitais, associações e cooperativas, artistas locais, mídia, ONGs, instituições públicas e privadas, encontro para discussão e trocas de experiências;

3. Capacitação: treinamentos, cursos, palestras, educação a distância;

4. Planejamento: de curto, médio e longo prazo: profissionalização do negócio;

5. Envolvimento da comunidade local: reuniões, eventos e contratação priorizada;

6. Diversificação dos produtos oferecidos e melhor apresentação;

7. Práticas de atividades sustentáveis: coleta seletiva, plantio árvores e hortas, fontes de energias alternativas, uso racional da água e do solo;

8. Acessibilidade: fundamental permitir o acesso de cadeirantes, pessoas idosas ou com problemas de locomoção.

Estamos num momento de muita discussão ambiental, onde é imprescindível uma prática no lugar de falas. O turismo rural pode ser a via mais rápida e mais eficaz na busca do desenvolvimento sustentável, principalmente pela facilidade de proporcionar a interdisciplinaridade entre diversas ciências como a Agroecologia, Biologia, Ecologia, Gastronomia, Engenharia Ambiental, Agronomia, Economia, Sociologia, Pedagogia, dentre outras. Portanto, é um papel de todos os governos e da sociedade estimular o setor e favorecer a melhoria da qualidade de vida de uma parcela considerável da população brasileira e garantir a preservação dos recursos naturais.

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Professor Doutor da Universidade Estadual da Paraíba.

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