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Fábio Agra de Medeiros: Agroecologia e sua contribuição na prevenção do coronavírus

Fábio Agra de Medeiros. Publicado em 19 de março de 2020 às 10:02

Foto: Codecom/CG

Em tempos de crise, cada vez mais se repetindo, eu reflito sobre esses acontecimentos e vejo que vão acontecer outros. O fato é que estamos atravessando uma pandemia que ainda traz muitas dúvidas, e assim como os outros acontecimentos nos remete ao problema maior, o tal do desenvolvimento insustentável, onde se busca dinheiro a todo custo, com degradação ambiental ampla e uma população crescente altamente consumista e podemos lembrar que os primeiros casos têm sido associados ao mercado público de frutos do mar em Wuhan, na China, e que o vírus poderia esta hospedado em animais selvagens comercializados livremente. Poluição, alimentação inadequada, concentração de renda, falta de saneamento, uso intensivo dos recursos naturais, estão entre os principais problemas que a humanidade vive. 

Ao estudar sobre a Agroecologia e conhecer diversos casos de sucesso, posso afirmar que é uma ciência que pode contribuir muito para amenizar e construir um caminho de mudança de paradigmas e de novas formas de desenvolvimento, principalmente pela sua atuação holística, encontrando e fazendo as conexões entre várias outras, resultando em concepções e modo de vida diferentes, com muito mais qualidade. É de conhecimento público o bem que o campo faz a saúde física, mental e espiritual quando se produz observando e respeitando a natureza com seus processos naturais e, estando a pessoa bem, faz toda a diferença onde está. Conheço dezenas de pessoas que amam morar no campo, outras tantas que sonham em morar lá, umas que estão em condomínios maiores implantando hortas e pomares e outras que compraram sítios, chácaras e fazendas para aproveitar o potencial lúdico e de diversas atividades que fazem bem ao ser humano. 

Alguns princípios e ações na Agroecologia são bem claros para a contribuição do bem estar coletivo: respeito a natureza, respeito ao ser humano, respeito aos processos naturais, ciclagem de nutrientes, diversificação biológica, construções alternativas, uso de insumos e defensivos naturais, banco de sementes comunitários, captação e uso adequado da água, busca pelo bem estar animal, práticas de conservação do solo, economia solidária e comercialização em circuitos curtos beneficiando os agricultores e agricultoras locais, desenvolvimento e capacitação das mulheres em atividades não agrícolas, despertamento dos jovens e inclusão nas capacitações e nas atividades diárias, projetos de educação ambiental, visitas de intercâmbio e vários outros pontos que favorecem e fortalecem laços com o campo.

Mas como tudo isso pode contribuir com a prevenção de uma contaminação por vírus? Imaginem uma comunidade onde os membros estão em lugares ventilados, abertos, sem contatos com multidões, se alimentando bem através de alimentos que chamamos “alimentos de verdade”, sem uso de agrotóxicos, sem conservantes e aditivos e com diversificação, onde todos os minerais, vitaminas e proteínas estão disponíveis fortalecendo o sistema imunológico através da laranja, limão, acerola, mel, leite, carne, legumes e verduras frescas. Imaginem uma comunidade que sai para trabalhar se exercitando todos os dias, dorme e acorda cedo, respira ar puro, usufrui do convívio familiar com intensidade e não vive correndo para ganhar dinheiro desenvolvendo estresse e seus inúmeros males ao corpo físico e a mente. Imaginem uma comunidade acordar com um belo nascer do sol e cânticos de pássaros e ao entardecer recolher sua família na varanda para uma boa prosa e seus animais para abrigos descentes na companhia de um belo por do sol. Tudo isso pode parecer utopia, mas já acontece em milhares de comunidades pelo Brasil e pelo mundo. Está cada vez mais comum ver artistas, vários profissionais liberais, empresários e pessoas comuns buscarem o resgate de uma alimentação saudável e contato com a natureza que fizeram nossos descendentes muitas vezes completar 100 anos de idade de forma ativa. Uma comunidade bem alimentada, com atividades diárias e alimentos disponíveis na porta de casa, que comercializam seus produtos próximo ao seu estabelecimento rural sem dúvida contribui para uma prevenção de contaminação viral coletiva.

E em homenagem a uma grande mulher defensora do respeito ao meio ambiente, falecida a pouco, a querida Ana Primavesi, cito uma das suas frases inesquecíveis: “A natureza é perfeita como DEUS criou e não como o homem quer”.

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Professor Doutor da Universidade Estadual da Paraíba.

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