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Exposição de Robert Frank

Benedito Antonio Luciano. Publicado em 19 de janeiro de 2018 às 7:53

Por Benedito Antonio Luciano (*)

De passagem pela cidade de São Paulo, entre os dias vinte e seis e vinte e nove de dezembro de 2017, aproveitei para visitar algumas exposições no Museu de Arte de São Paulo (MASP), na Japan House e no Instituto Moreira Salles (IMS), todos localizados na Avenida Paulista.

Dentre as exposições citadas vou destacar aqui a exposição “Robert Frank: Os Americanos + Os livros e os filmes”, realizada no Instituto Moreira Salles, de vinte de setembro a trinta de dezembro de 2017.

Exibida integralmente pela primeira vez no Brasil, a série “Os americanos” é composta por oitenta e três fotografias originais do autor pertencentes à coleção da Maison Européenne de La Photographie de Paris.

De acordo com informações contidas no material impresso de divulgação da exposição, Robert Frank nasceu em 1924, em Zurique, na Suíça, tendo emigrado para os Estados Unidos em 1947, onde atuou como fotógrafo colaborador nas revistas Harper’s Bazaar, Life, Look e Vogue.

Em 1948, Frank viajou pelas Américas Central e do Sul, percorrendo o Peru, dos Andes à Amazônia, incluindo uma rápida passagem por Manaus, da qual resultou alguns registros fotográficos dessa rápida e única visita ao Brasil apresentados nessa exposição.

A série “Os americanos” é o resultado da jornada empreendida por Robert Frank pelos Estados Unidos, durante nove meses, entre 1955 e 1956, na qual ele percorreu quase todos os estados do país, contando com o suporte de uma bolsa da John Simon Guggenheim Memorial Foundation.

Ao longo dessa jornada foram produzidas mais de vinte e oito mil fotografias, algumas delas publicadas no livro “Les Américains”, lançado na França, em 1958, e nos Estados Unidos, no ano seguinte, sob o título “The Americans”, obra traduzida em outras línguas e editada em português pelo Instituto Moreira Salles.

No tocante aos filmes, Robert Frank dirigiu, dentre outros, o curta-metragem “Pull my Daisy” (1959), “Me and my brother” (1969), “Cocksucker blues” (1979), “Candy mountain” (1987), um documentário sobre a turnê mundial dos Rolling Stones (1972), “Fernando” (2008) e “Don’t blink” (2015).

Durante a passagem pelo corredor composto pelas oitenta e três fotografias dispostas na exposição, uma delas me despertou a atenção de modo especial: “Funeral, Santa Helena, Carolina do Sul”.  Nela, toda carga emotiva é captada pela lente do fotógrafo. No primeiro plano pode ser visto um homem negro de chapéu escuro (foto preto e branco) e paletó escuro com a mão esquerda no queixo, tendo no segundo plano três homens, igualmente negros, dois deles encostados a um carro escuro.

Nos demais registros fotográficos o que se percebe é o resultado de um denso e profícuo trabalho de um artista que, unindo técnica e sensibilidade, montou um mosaico representativo dos Estados Unidos e de seus habitantes na segunda metade do decênio de 1950, introduzindo um estilo que ficou conhecido como “street photography”, fotografia de rua.

(*) Professor Titular do Departamento de Engenharia Elétrica da UFCG

Os artigos postados no Paraibaonline expressam essencialmente os pensamentos, valores e conceitos de seus autores, não representando, necessariamente, a linha editorial do portal, mas como estímulo e exercício da pluralidade de opiniões.

Benedito Antonio Luciano

Professor doutor, titular do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).

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