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Estevam Fernandes: Sede de vida!

Estevam Fernandes. Publicado em 1 de dezembro de 2019 às 11:17

Um enorme cansaço toma conta de muita gente nos dias de hoje, eu o chamo de cansaço existencial. Para muitas pessoas a vida está pesada demais. Encontram-se não somente cansadas, mas sobrecarregados também. Carregam sobre seus ombros um fardo difícil de ser suportado. Não encontram tempo, nem lugar, nem companhia para aliviar as pressões que se avolumam nas incertezas do dia a dia. Vivem solitárias, enjauladas em cárceres emocionais construídos dentro de si mesmas, prisioneiras do medo, da ansiedade crônica, do pânico, da angústia e da depressão. Algumas, vencidas pela exaustão, já não reagem mais e estão desistindo de viver.

É bem verdade que, às vezes, a vida maltrata muito. Nossa pele emocional fica hipersensível, como se estivéssemos com a alma inflamada, denunciando feridas não curadas. Ansiosos, perplexos, maltratados, desconfiados de tudo e de todos, vamos desaprendendo a caminhar com os outros, preferindo a solidão e o isolamento por conta dos arranhões vindos de relacionamentos que machucaram o coração. Basta de ingratidões, traições, rejeições, abandonos e decepções. Sufocada por tantas dores, a alma grita dentro de si, ansiando por um tempo de alegria, paz e esperança.

“Tenho sede”! Esse foi o grito de Cristo no Calvário, e os soldados romanos ao invés de água, deram-lhe vinagre, o que aumentou a sua agonia. Esse também tem sido o grito de muitos em nossos dias; alguns mais que sedentos, estão agonizantes, com a alma desidratada. Precisam irrigar o solo do coração para que a alegria de viver brote outra vez. Necessitam, e logo, de alguém que lhes escutem e ajudem porque o que está em jogo não é a satisfação de uma necessidade qualquer, mas a sua sobrevivência emocional. Clamam por paz, esperança, companhia e paz interior. Desejam viver!

Estamos assistimos hoje a uma espécie de desertificação da vida. Uma aridez estranha e crescente vai se formando no coração das pessoas. As fontes estão secando e elas estão sedentas, sofrendo pelos efeitos danosos que esse tipo carência lhes impõe. Trata-se de uma sede que só poderá ser atendida por meio de relacionamentos saudáveis. Sede de atenção, de compreensão, de valorização, de afeto, de companhia. O mais doloroso é que algumas delas estão bebendo vinagre ao invés de água. A vida se lhes tornou amarga demais.

Muitos lares tornaram-se desertos. Alguns agonizam carentes de amor, de perdão, de carinho, abraço e reconhecimento. Quando a família abandona os seus, a dor é muito mais intensa e a alma, sedenta, clama por água para amenizar os sofrimentos quase insuportáveis. ‘’Tenho sede”! Tem sido o grito de muitos dentro de suas próprias casas. Isso acontece no casamento, quando para o casal a cama vira deserto; ocorre na família, quando na mesa, pais e filhos se agridem, e dentro dos corredores da casa, quando irmãos não se reconhecem mais.

Infelizmente, os modernos desertos urbanos alargaram suas fronteiras e alcançaram muitos outros espaços da nossa existência. Aparentemente temos muitas coisas que julgamos importantes, no entanto, nos falta o essencial. Nas redes sociais, muitos contatos, mas na verdade, poucos amigos; nos condomínios urbanos, belas casas, contudo, poucos vizinhos; na ânsia pela riqueza, muitos bens, mas poucos tesouros; até mesmo na religião, muitos templos, e muito pouco de Deus.

A verdade é que todos estamos sedentos de sentimentos recíprocos, de valores que nos humanizem mais e hidratem a nossa alma, para que a vida seja mais leve e mais afetiva. Quando nos pedem água, o que temos para oferecer? Vinagre?

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Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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