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Estevam Fernandes: Saindo das Sombras

Estevam Fernandes. Publicado em 8 de março de 2020 às 17:32

A vida é dinâmica. É movimento constante de renovação. Ela é implacável com os que se acomodam, com todos aqueles que deixam-se dominar pelo medo e pela falta de perspectivas. A vida não perdoa quem se deixa viver com as mãos e com os pés atados, quais “Lázaros”, mortos já há muito tempo; e outros, sepultados antes da própria morte, esperando o grito de alguém que lhes acorde para a vida, e ainda lhes arranque as amarras que os mantêm imobilizados. A vida não para.

A idéia de “começar de novo”, ou recomeçar, está presente no coração da maioria das pessoas. Ouço, todos os dias, desabafos do tipo: “Há se eu pudesse voltar no tempo!” Ou: “Há se Deus me desse a chance de começar tudo outra vez!”.

É como se a força de uma “alvorada” quisesse irromper dentro de nós, num movimento de propulsão para a vida, de não acomodação. Um desejo ardente de superação. Um sonho de triunfo. De não acomodar-se com a situação atual.

O que é uma alvorada? É o despertar de um novo dia. É a linguagem da natureza proclamando a proximidade do novo. A mensagem de Deus, mediada pelo sol, lembrando que a noite, por mais longa que seja, não é eterna – não se basta a si mesma; ela sede aos caprichos da luz e ao triunfo do sol.

Ela não resiste à chegada de um novo amanhecer. Todas as vezes que este espetáculo da natureza se repete, a existência se reveste de uma rara beleza. É a vida que se reproduz continuadamente.

Todavia, a alvorada não é apenas o despontar de outro dia, é também o triunfo do novo. É a vida falando-nos das possibilidades reais de renovação. Se na natureza tudo se transforma, isso também pode ser verdade conosco.

Tudo pode ser novo quando nos permitimos recomeçar. Quando não aceitamos as dificuldades como “karmas” inevitáveis, como se o destino fosse o timoneiro de nossa existência.

Ninguém nasce com sua história pré-agendada. Na verdade, o enredo da nossa existência vai sendo construído no cotidiano, no calor das nossas experiências. No útero de um mundo que existe dentro e fora de nós. Como a vida é dinâmica, tudo nela está sujeito a mudanças, provações e superações.

Todos precisamos aprender uma grande lição: Ou saímos para a luta, rompendo o frio da noite, ou ficaremos à sombra da história, caminhando entre os respingos dos raios de luz que caem nas estradas “alheias”. Isso não é uma caminhada plena, é trajetória mal percorrida.

É vida sem projeto. É existência sombria que se permite esconder à sombra da própria morte, sem brilho, sem esperança e sem luz.

As alvoradas precisam acontecer dentro de cada um de nós. Ninguém pode viver mergulhado na escuridão de uma noite densa e fria, e imaginar que ela não tem fim. Por isso mesmo, a sabedoria bíblica afirma:

“O pranto pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã”. Todos podemos melhorar. Aliás, todos podemos ressuscitar para a experiência de um novo tempo. A medida do bem é inesgotável, mas é a busca desta medida – ainda que inesgotável –, que nos orienta na direção da alvorada, o lugar das esperanças renovadas, do amor fortalecido, da fé recomposta, de novos horizontes.

Deixe Deus propiciar uma alvorada em sua vida. Algo maravilhoso vai lhe acontecer! Ele levanta os cansados e renova as forças quando elas parecem desaparecer.

Ele é o sol da vida. Ele é a estrela da manhã. Não foi por acaso que Jesus Cristo declarou: “Eu faço novas todas as coisas”. O apóstolo Paulo, vivenciando esta alvorada, disse também: “Quem está em Cristo nova criatura é; as coisas velhas passaram, tudo se fez novo”.

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Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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