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Estevam Fernandes: O amigo certo nas horas incertas!

Estevam Fernandes. Publicado em 9 de fevereiro de 2020 às 16:00

O sofrimento, tanto quanto a alegria, são partes integrantes da experiência humana de vida. A dor é pedagógica, podemos ser uma maneira através da qual nós crescemos como pessoas, e nos libertamos das garras do romantismo ilusório. Quando sofremos, estamos aprendendo sobre a arte de viver, As lágrimas nos ensinam muito!

Sem as provações, a vida fica presa aos limites da infantilidade. Quem não sofre, fica vulnerável, como uma casa sem muros. Quando os pais tentam imunizar os filhos contra as adversidades da vida, estão criando seres potencialmente fracos, candidatos a decepções e frustrações prematuras. Ninguém está imune ao sofrimento, nem mesmo os que se escondem atrás de fantasias religiosas, arrastados pelo manto nocivo de falsos profetas. Até Jesus Cristo chorou!

A síndrome do “super-homem”, aquele super-herói das telas e dos quadrinhos, tão próprio da megalomania americana, persegue muita gente. Vivendo como tal, a pessoa vai deixando de vivenciar atitudes e sentimentos próprios e necessários à experiência humana, como: a humildade, a esperança, a paciência, o desejo de amar e também ser amado, dentre outras.

O sofrimento também é purificador. Ele é um processo que promove a nossa “lapidação” interior, nos transformando em gente de verdade, que brilha de dentro para fora, refletindo serenidade, maturidade e esperança. Só quem já experimentou a dor na sua vida sabe o que é ter esperança; tem idéia do valor de se lutar e não desistir, ainda que ninguém acredite mais na vitória.

A serenidade é o avesso do desespero. Pessoas angustiadas tendem a tomar decisões precipitadas e, muitas vezes, arrastam consigo os sonhos de outros. Choram lágrimas desnecessárias. Às vezes, a angústia é uma dor sem sentido. Energia desperdiçada em vão. A angústia precipita o caos. Denuncia fraqueza interior.

A atitude que devemos tomar deve ser o reconhecimento de nossa finitude. Ninguém é suficientemente forte para não precisar de ajuda. Muitas vezes vai ser preciso buscar a ajuda de alguém. Todavia, há momentos em que as pessoas que nos cercam, por mais que se esforcem, não conseguem nos ajudar, visto que, como nós, são também carentes e limitadas.

O importante na vida é manter o equilíbrio. Sempre haverá uma saída. Às vezes a angústia não nos deixa enxergá-la, mas ela, em algum momento, nos será revelada. Quando damos as costas à esperança, perdemos o senso de direção. Por mais árido que seja o deserto, ele esconde um lugar de sombra e refrigério. Ficar sem esperança é como olhar para um palco com as cortinas fechadas. Parece que o espetáculo acabou.

Viver vitoriosamente é olhar prá frente. É ser dominado pelo desejo de viver cada vez mais. Toda lágrima é uma semente de vida e esperança. Quem valoriza as suas lágrimas, está regando o solo de suas vitórias. As perdas na vida, os lutos sofridos, as crises profundas e as enfermidades traiçoeiras, bem como, as ingratidões, a solidão e outros males, acabam nos fortalecendo por dentro. A dor é o tônico que nos faz crescer.

É no mais intenso sofrimento que Deus se revela amigo verdadeiro. Como diz o salmista: “Ele é socorro bem presente na angústia”. Deus é bálsamo, é refrigério, é fortaleza. Se olharmos ao redor com os olhos da fé, perceberemos que Deus nunca nos abandonou. Como diz o dito: “Ele é o amigo certo, nas horas incertas”.

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Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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