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Estevam Fernandes: A resistência da alma

Estevam Fernandes. Publicado em 15 de dezembro de 2019 às 12:55

Não é fácil manter-se em pé em meio aos escombros. Sobretudo, quando estes são o que restou de algum projeto da nossa vida. Eles representam pedaços de nossos sonhos. Permanecer firme é um ato de bravura, um desafio aos limites da nossa humanidade.

Não é fácil, também, continuar sorrindo quando sobram motivos para prantear. Quando a dor bate à nossa porta tudo começa a desmoronar ao nosso redor: enfermidades, grandes perdas, frustrações e atropelos. Esboçar um sorriso quando os lábios tremulam de dor é um desafio às circunstâncias… Cantar no deserto é tão difícil quanto dormir durante uma tempestade.

Não é fácil manter viva a chama da fé quando as orações parecem não ser atendidas; num aparente desencontro entre os céus e a nossa dor. Queremos respostas e elas não vêm. Temos pressa e Deus nos faz esperar. Precisamos ouvir algo e Ele se reserva ao silêncio. Acreditar na solução diante do que está “perdido” é uma atitude de heroísmo espiritual. Esperar pela resposta de Deus, segundo o tempo e a vontade de Deus, é um dos maiores desafios a nossa paciência. Somos imediatistas e pragmáticos, e nossas angústias reclamam por soluções rápidas. Não entendemos o ditado que diz: “Deus tarda, mas não falha”!

Não é muito fácil alimentar esperanças diante de um horizonte sombrio. De repente, uma nuvem escura ofusca a visão do amanhã. Portas e janelas se fecham. Para onde se olha, nada se vê! É difícil enxergar soluções, quando elas desaparecem. Conservar viva a esperança e não morrer a cada dia é postura própria de vencedor. Por isso mesmo é que a fé é a certeza daquilo que não se vê, e que está totalmente oculto aos olhos humanos. Confiar em Deus e manter viva a esperança é vislumbrar um ponto de luz em meio a escuridão.

A fé não pode ser sepultada. Por causa da nossa finitude, ela se constitui como uma ponte entre o efêmero e o eterno; entre o limitado e o perfeito. Resista à incredulidade, pois a fé faz muita diferença quando percebermos nossa fragilidade diante dos gigantes da vida. Cada pessoa tem que enfrentar os seus próprios “Golias”!

É impossível viver sem esperança. Ela é combustível. É força propulsora em direção ao amanhã. Não ter esperança é sinal de pobreza espiritual; é também, um sintoma de enfermidade na alma. Resista, sempre, ao pessimismo. Acredite na vitória! Jamais desista dos seus sonhos, mesmo que eles pareçam impossíveis. Lembre-se do que Jesus afirmou: “Tudo é possível àquele que crê”.

Todo dia é dia de resistirmos às adversidades! Entre os escombros, haverá sempre algo que poderá ser salvo. Na vida, nada se perde completamente. A virtude, pois, consiste em manter-se em pé e resistir à tentação da fuga, pois ela será sempre o caminho dos mais fracos, dos que se deixam dominar pelo medo, pelo desespero e pela covardia, e por isso mesmo precipitam o caos.

É difícil falar de amor e paz, sob a ameaça do ódio e de violência. Nossas casas, quais campos de batalha, transformam nosso chão em terreno minado. Somos homens-bomba, cheios de explosivos no peito. Todos os dias detonamos um pouco de nós mesmos, como heróis inúteis de uma batalha chamada ilusão. Hastear a bandeira da paz em tempo de guerra é um gesto de dignidade e respeito à vida.

Deixe a sua alma sorrir! Tenha uma disposição mental e espiritual que lhe ajude a não se abater diante das experiências negativas, não ficar prostrado(a) diante do que parece impossível, entenda que o nosso lugar não é o chão, mais o “podium” – local dos vencedores. “O pranto pode durar uma noite, mais a alegria vem pela manhã”.

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Sociólogo, filósofo e pastor da 1ª Igreja Batista de João Pessoa.

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