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Estada em Luxor

Ailton Elisiário. Publicado em 18 de abril de 2019 às 10:05

Do Cairo nos dirigimos a Luxor, a antiga capital de Tebas, caracterizada hoje como o maior museu ao ar livre do mundo. De fato, o Vale dos Reis, o Vale das Rainhas, o Vale dos Nobres, o Templo de Luxor, o Templo de Karnak, o Templo de Hatshepsut e os Colossos de Memnon formam um conjunto arqueológico magnífico que fazem de Luxor uma cidade monumental. Dividida pelo caudaloso rio Nilo, Luxor tem sua margem oriental dedicada aos vivos, onde se acham os palácios e templos e a ocidental aos mortos, onde se situam as tumbas.

Fizemos em Luxor um passeio de balão sobrevoando parte do complexo dos monumentos, iniciado com a visão das alturas do nascer do sol até a eletrizante descida que move uma equipe motivada para garantir um pouso seguro. O certificado da aventura concedido pelo Safari Balloons atesta que aquele nele nomeado participou do vôo do balão de ar quente sobre o lado ocidental de Luxor.

No Vale dos Reis encontram-se 62 tumbas de faraós, das quais penetramos no interior das tumbas de Seti I e de Ramsés VI e IX, admirando as pinturas milenares ainda com cores bem vivas. No Vale das Rainhas estão os túmulos de Ti e de Nefertari, esta que foi esposa de Ramsés II. No Vale dos Nobres as tumbas de sacerdotes, ministros e oficiais do governo, com paredes decoradas com cenas do quotidiano.

Chama-nos a atenção o Templo de Hatshepsut, com estilo arquitetônico único, encravado parcialmente na rocha. Hatshepsut foi a primeira mulher que governou o Egito e que inventou a concepção sem conjunção, pioneira, portanto, da barriga de aluguel. Chegando ao poder por artifícios e nele se mantendo pelos mesmos meios, quando de sua morte Ramsés II e seus sucessores modificaram seu palácio para fazê-la desaparecer da história. O palácio veio a ser a sede de um mosteiro cristão denominado Al-Deir Al-Bahari ou Mosteiro do Norte.

Atrações que prendem maravilhados os turistas são os Templos de Luxor e Karnak, notadamente aqueles que trafegam nas sendas do misticismo. O Templo de Luxor iniciado no período faraônico veio a ser concluído no período muçulmano. Juntamente com o Templo de Karnak, eram dedicados ao deus Amon-Ra. Até o fim da civilização egípcia, Karnak se manteve como centro religioso do reino.

O Templo de Amon-Ra em Karnak construído ao longo de 1.700 anos, tem 134 colunas em forma de papiro, inúmeras esfinges com cabeça de cabra, obeliscos, estátuas de deuses e faraós. Encoberto pelas areias do deserto, foi descoberto em 1881. Num local do pátio há um lago sagrado que era usado para purificações. E próximo ao lago uma estátua de granito do escaravelho, um besouro sagrado para os egípcios antigos, que representava o sol.

Há uma lenda dita pelos habitantes da região de que se uma pessoa der voltas ao redor da estátua o escaravelho tem o poder de realizar os desejos pedidos: 3 voltas para fortuna, 5 para matrimônio, 7 para felicidade e 8 para segredos. Interessante que minha dor de dente desapareceu quando arrodeei por 7 vezes o escaravelho, embora diante da recidiva a solução definitiva veio quando fui atendido pela jovem e bela dentista Dra. Jihad que me prescreveu um poderoso antibiótico.

Os Colossos de Memnon encerraram o passeio. Duas estátuas de 18 metros de altura cada que guardavam o templo funerário de Amenófis III, destruído pelo tempo. As estátuas representam o faraó sentado em seu trono, tendo ao lado de suas pernas sua mãe Mutemwija e sua esposa principal Tiye. Essas estátuas são também chamadas de pedras que cantam, isto por conta da lenda criada sobre elas, ao tempo da dominação grega, envolvendo Memnon, o gigante das guerras de Tróia, que era filho de Aurora e Tião, morto por Aquiles.

Segundo a lenda, Aurora pediu aos deuses para que seu filho voltasse, pelo menos uma vez por dia. Foi concedido que aos primeiros raios do sol no dia a mãe escutasse a voz do filho. A mesma chorava e suas lágrimas se transformavam no orvalho associado à Aurora e o seu choro parecia mais com um lamento. Todos os dias, ao nascer do sol, durante a passagem do vento da manhã, a estátua com rachaduras produzia um som que muito lembrava a dor de Aurora pela perda do seu filho Memnon. O povo fazia perguntas e pedia ajuda à estátua, vendo nela um oráculo, cujo som emitido era a forma de resposta. Acredita-se hoje que o som seria produzido pelas rachaduras da estátua que com o calor faria o efeito sonoro. Com a restauração da estátua pelo imperador romano Septímio Severo, em 199 d.C, a estátua parou de cantar.

Ao final da tarde fizemos um passeio de charrete pelas ruas de Luxor. O nosso cocheiro Ahmed nos disse que era casado, tinha uma filha e morava com a mãe. O cavalo era dele e o coche alugado. Muito alegre ficava soltando lorotas com as pessoas pelas ruas que passava. Ao final do passeio nos pediu duas gorjetas, uma para ele e outra para o cavalo a quem chamava de Sofia, que na verdade era uma égua. Embarcamos no Nile Dolphin para iniciarmos o cruzeiro pelo rio Nilo.

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Ailton Elisiário

O autor é economista, advogado, professor da Universidade Estadual da Paraíba e membro da Academia de Letras de Campina Grande.

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